Estudo no Lago Van reconstrói a evolução climática do Oriente Médio nos últimos 600 mil anos
O projeto PALEOVAN recuperou núcleos de sedimentos a 217 metros de profundidade no Lago Van, na Turquia. A análise de camadas sedimentares e cinzas vulcânicas reconstruiu 600 mil anos de história ambiental do Oriente Médio. Os dados registram a alternância entre períodos úmidos e secos na Anatólia Oriental
A perfuração realizada no Lago Van, no leste da Turquia, permitiu a reconstrução de 600 mil anos de história ambiental do Oriente Médio. O projeto PALEOVAN, integrante do International Continental Scientific Drilling Program (ICDP), recuperou núcleos de sedimentos que funcionam como um arquivo paleoclimático de alta resolução.
Iniciada em 2010, a campanha de coleta obteve amostras em dois pontos distintos, atingindo 217 metros abaixo do fundo do lago. A sequência resultante, com cerca de 219 metros, foi detalhada em estudos publicados em 2014. O corpo d'água possui 3.522 km² e profundidade máxima de 451 metros, sendo que, especificamente no sítio Ahlat Ridge, a lâmina d’água é de 360 metros.
A análise das camadas sedimentares revela a alternância entre períodos úmidos, identificados por sedimentos ricos em matéria orgânica, e fases secas, caracterizadas por materiais mais claros e pobres em componentes biológicos. Para a datação precisa desses ciclos, foram utilizadas camadas de cinzas vulcânicas, que servem como marcadores geológicos de erupções ocorridas sucessivamente ao longo do período estudado.
Os dados indicam que a região da Anatólia Oriental enfrentou condições severas e secas prolongadas, com impactos diretos na vegetação, na oferta de água e, em períodos mais recentes, na ocupação humana. O registro evidencia que o nível do Lago Van oscilou entre expansão e retração, refletindo o equilíbrio entre a evaporação e as chuvas. Além disso, foram observadas transições abruptas entre diferentes estados climáticos, demonstrando que o sistema pode sofrer mudanças intensas em curtos intervalos, em vez de evoluir apenas de forma gradual.
Esse registro continental integra um esforço global de compreensão climática, complementando estudos realizados em geleiras e oceanos. A disponibilidade de uma linha do tempo contínua permite comparar a variabilidade natural do passado com as mudanças observadas atualmente, auxiliando na identificação de padrões que fogem à normalidade histórica do sistema climático terrestre.