Ciência

Material de construção produzido por microalgas é três vezes mais resistente que o concreto

29 de Abril de 2026 às 19:22

Prometheus Materials e SOM desenvolveram o Bio-Block, material de construção feito de micro-algas que capturam CO2 em biorreatores. O produto triplica a resistência à compressão do concreto comum, é entre 15% e 20% mais leve e absorve sons 12 vezes mais que o material tradicional. A tecnologia, originada na Universidade do Colorado Boulder, dispensa fornos e combustíveis fósseis

A startup Prometheus Materials, em parceria com o escritório de arquitetura SOM, desenvolveu o Bio-Block, um material de construção produzido por micro-algas que replica o processo natural de formação de recifes de coral. Enquanto a natureza leva décadas para criar estruturas rígidas de carbonato de cálcio utilizando luz solar e CO₂ dissolvido na água, a nova tecnologia reproduz esse mecanismo em laboratório para a fabricação de blocos.

O processo ocorre em biorreatores, tanques transparentes onde as micro-algas são cultivadas com água, luz solar e dióxido de carbono. Durante a fotossíntese, as algas absorvem o CO₂ do ar e o convertem em carbonato de cálcio, mineral também encontrado em pérolas e conchas. Esse material biogênico é colhido, misturado a agregados e moldado em blocos, dispensando a queima de combustíveis fósseis e o uso de fornos.

A inovação contrasta diretamente com a indústria de cimento convencional, que queima calcário a 1.450°C e é responsável por 8% das emissões globais de CO₂. Enquanto o método tradicional emite gases poluentes, o Bio-Block opera à temperatura ambiente e consome CO₂. Estima-se que a substituição do cimento convencional por esse material em escala global evitaria a emissão de 2 gigatoneladas de CO₂ por ano.

Em termos de desempenho, testes de laboratório demonstram que o Bio-Block possui resistência à compressão três vezes superior à do concreto comum. O material é 15% a 20% mais leve e apresenta uma capacidade de absorção sonora 12 vezes maior que a do concreto tradicional.

A tecnologia é fruto de um programa de pesquisa da Universidade do Colorado Boulder, e a colaboração com o SOM acelerou a aplicação prática do material. A Prometheus Materials planeja expandir a tecnologia para uma receita de concreto pronto, visando a construção de torres com mais de três ou quatro andares, superando as limitações atuais da alvenaria.

Apesar dos resultados, a produção em larga escala ainda enfrenta desafios, como a dependência de infraestrutura de biorreatores e um custo por unidade superior ao do concreto tradicional. No entanto, a tendência de adoção da precificação de carbono em diversos países pode alterar a viabilidade econômica do material, tornando-o competitivo frente aos métodos convencionais.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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