Ciência

NASA e Universidade de Alabama desenvolvem tecnologia de plasma frio para higienizar tecidos no espaço

26 de Maio de 2026 às 06:24

Pesquisadores da Universidade de Alabama em Huntsville e da NASA criaram um dispositivo de plasma frio que elimina microrganismos em tecidos sem água ou detergentes. A tecnologia reduziu em 76% a presença de esporas em amostras de algodão operando em temperatura ambiente. O sistema visa viabilizar a higiene em missões espaciais de longa duração

NASA e Universidade de Alabama desenvolvem tecnologia de plasma frio para higienizar tecidos no espaço
NASA

Pesquisadores da Universidade de Alabama em Huntsville e do Centro de Voo Espacial Marshall da NASA desenvolveram um dispositivo de plasma frio capaz de eliminar microrganismos em tecidos sem a utilização de água ou detergentes. A tecnologia, apresentada na Conferência de Ciências de Astrobiologia em Wisconsin, surge como uma alternativa para viabilizar a higiene em missões espaciais de longa duração, como viagens à Lua ou a Marte, onde o sistema atual de descarte de roupas usadas — praticado na Estação Espacial Internacional (ISS) — é logisticamente inviável.

O aparelho opera por meio de um jato que mistura hélio, ar e vapor de água, submetendo essa composição a descargas elétricas intensas. O processo gera íons de oxigênio que penetram nas fibras do tecido e provocam o estresse oxidativo nos microrganismos, neutralizando-os. De acordo com o pesquisador Gabe Xu, essa abordagem é eficaz inclusive contra organismos resistentes à luz ultravioleta, já que a exposição ao oxigênio reativo atua como um agente letal para esses agentes.

Em testes realizados com amostras de algodão, o raio de plasma roxo reduziu a presença de colônias de esporas de 250 mil por mililitro para aproximadamente 60 mil, representando uma queda de 76% sem causar danos ao material. Diferente de outras aplicações de plasma, como a soldagem, este sistema opera em temperatura ambiente, permitindo o manuseio seguro e a aplicação direta em tecidos sem risco de queima.

Atualmente, o protótipo possui uma limitação de escala, desinfetando áreas menores que um centímetro de largura por vez. Para superar essa barreira, Xu e a pesquisadora Chelsi Cassilly desenvolvem duas novas versões: uma câmara fechada para lavagem de roupas via injeção de gás e um dispositivo híbrido, similar a um aspirador, destinado à higienização de superfícies, como pisos e móveis em habitats espaciais.

A implementação dessa tecnologia visa permitir a existência de ambientes habitáveis em missões prolongadas, possibilitando a manutenção de itens de conforto, como sofás, que demandam limpeza regular para serem utilizados com segurança fora da órbita terrestre.

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