Economia

Petrobras aumenta preço do querosene de aviação e permite parcelamento do reajuste para distribuidoras

01 de Maio de 2026 às 15:12

A Petrobras aumentou o preço do querosene de aviação em 18%, elevando o custo em R$ 1 por litro nesta sexta-feira (1º). Distribuidoras da aviação comercial poderão parcelar parte do reajuste em seis vezes, com a primeira parcela vencendo em julho de 2026

A Petrobras implementou, nesta sexta-feira (1º), um reajuste médio de 18% no preço do querosene de aviação (QAV), o que representa um acréscimo de R$ 1 por litro comparado ao mês anterior. Para mitigar o impacto no setor de aviação brasileiro e manter a demanda pelo produto, a estatal permitirá que distribuidoras da aviação comercial parcelem parte desse aumento em seis vezes, com o vencimento da primeira parcela previsto para julho de 2026. A medida repete a estrutura adotada no mês passado, quando o combustível sofreu uma alta de 55%.

O QAV, utilizado por aviões e helicópteros, detém um peso significativo na estrutura de custos das companhias aéreas, representando 45% das despesas operacionais do setor antes do reajuste de maio, conforme dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). A Petrobras detém cerca de 85% da produção do combustível, embora o mercado opere sob livre concorrência para produtores e importadores.

A volatilidade nos preços é reflexo de tensões geopolíticas, especificamente a guerra no Irã iniciada em 28 de fevereiro após ataques dos Estados Unidos e Israel. O conflito afeta rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde transita 20% da produção global de petróleo. O bloqueio do estreito como retaliação iraniana prejudicou a logística do óleo cru e elevou a cotação do barril tipo Brent de US$ 70, antes do conflito, para patamares próximos a US$ 120 (aproximadamente R$ 595), um salto superior a 70%.

A companhia justifica que a precificação do QAV segue uma fórmula aplicada há mais de duas décadas para equilibrar os mercados interno e externo. Segundo a estatal, esse mecanismo atua como um amortecedor, resultando em reajustes menores do que os observados em mercados internacionais, onde as cotações são refletidas de forma imediata.

Para conter a alta dos custos operacionais e evitar o repasse imediato aos preços das passagens, o governo federal zerou, no dia 8, as alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre o QAV, isenção válida até 31 de maio. O pacote de auxílio ao setor inclui ainda o adiamento de tarifas de navegação aérea devidas à Força Aérea e a disponibilização de R$ 9 bilhões em crédito via Fundo Nacional de Aviação Civil e BNDES.

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