Estados Unidos consideram usar míssil hipersônico Dark Eagle para atingir alvos profundos no Irã
Os Estados Unidos avaliam usar o míssil hipersônico Dark Eagle contra alvos profundos e subterrâneos no Irã. O sistema de alcance superior a 2.775 quilômetros atinge picos de Mach 17 e visa neutralizar estruturas blindadas e lançadores móveis
Os Estados Unidos consideram a utilização do míssil hipersônico Dark Eagle contra o Irã, em um movimento que combinaria necessidade tática, demonstração tecnológica e peso geopolítico. O sistema, batizado oficialmente como Long Range Hypersonic Weapon (LHW) pelo Exército americano em abril de 2025, seria empregado para atingir alvos profundos, móveis e subterrâneos que atualmente escapam ao alcance da maioria das armas de precisão disponíveis para Washington e Israel.
A possibilidade de estreia do armamento em combate surge diante do reposicionamento de lançadores de mísseis balísticos iranianos para áreas remotas do território, incluindo silos enterrados e grutas. Essa mudança operacional, somada ao esgotamento parcial do arsenal convencional americano — especialmente das bombas penetradoras GBU-57, que estariam fora de produção e com estoques exaustos —, torna o Dark Eagle a alternativa viável para neutralizar estruturas blindadas e bunkers através do impacto cinético, sem depender exclusivamente de ogivas explosivas.
Tecnicamente, o sistema terra-terra de alcance intermediário opera com a arquitetura *boost-glide* (impulso e planeio). O processo ocorre em duas etapas: um booster de combustível sólido acelera o conjunto até a alta atmosfera, atingindo velocidade hipersônica, momento em que libera um veículo planador não propulsionado. Este último manobra nas camadas altas da atmosfera, alterando a rota nas fases média e terminal do voo. Com velocidade de cruzeiro de Mach 5 (cerca de 6.100 km/h) e picos de Mach 17, a arma torna a interceptação quase impossível para as tecnologias atuais.
O Dark Eagle possui alcance oficial superior a 2.775 quilômetros, com estimativas que chegam a 3.500 quilômetros, situando-se na categoria de 1.000 a 5.500 quilômetros. Cada unidade é avaliada em US$ 15 milhões. O desenvolvimento do programa, iniciado em 2018, custou mais de US$ 12 bilhões e foi concebido como resposta ao amadurecimento de redes de negação de área e à entrada em serviço de sistemas semelhantes, como o DF-17 chinês e o Avangard russo, ambos em 2019.
A estrutura do projeto envolve um consórcio industrial coordenado pelo Pentágono, com a Lockheed Martin como contratante principal. O booster foi desenvolvido com a Northrop Grumman e a Aerojet Rocketdyne, enquanto o veículo planador foi projetado pelos Sandia National Laboratories e fabricado pela Dynetics. Operacionalmente, uma bateria — como a Bravo, do quinto batalhão do terceiro regimento de artilharia de campanha, sediada em Joint Base Lewis-McChord — custa cerca de US$ 2,5 bilhões e é composta por quatro veículos lançadores M983, totalizando oito mísseis prontos para disparo, além de apoio móvel.
A doutrina de emprego do sistema foca em três missões: neutralizar sensores e comandos de redes de antiacesso, suprimir lançadores móveis de mísseis balísticos e atingir alvos de alto valor com janelas temporais curtas.
Embora o Irã não fosse o alvo original do programa, a autorização para o disparo, que depende de aprovação superior após pedido do comando militar, marcaria a entrada oficial dos Estados Unidos na era hipersônica. Para além do efeito prático no campo de batalha, o uso do Dark Eagle enviaria um sinal estratégico a rivais como Rússia e China, transformando a capacidade tecnológica em emprego real e consolidando um novo patamar de dissuasão e resposta em conflitos de alta intensidade. O primeiro disparo operacional poderá ocorrer nas próximas semanas ou meses, condicionado à evolução do cenário regional e do cessar-fogo.