Palestinos realizam eleições locais e retomam processo democrático na Faixa de Gaza após duas décadas
Palestinos realizaram eleições locais neste sábado na Cisjordânia e em Deir al-Balah, na Faixa de Gaza. A participação foi de 53,44% na Cisjordânia e 22,7% em Deir al-Balah, com mais de um milhão de eleitores aptos. O pleito marca o retorno do processo democrático a Gaza após vinte anos
Palestinos realizaram eleições locais neste sábado (25), marcando o retorno do processo democrático à Faixa de Gaza após duas décadas. A votação ocorreu em Deir al-Balah, cidade que sofreu menos danos nos ataques israelenses desde 2023, e na Cisjordânia. O pleito é visto como um termômetro político em um cenário onde o governo de Israel atua para inviabilizar a criação de um Estado palestino, inclusive por meio de medidas que facilitam a aquisição de terras por colonos na Cisjordânia.
A inclusão de Deir al-Balah no processo eleitoral é uma estratégia da Autoridade Palestina, sediada na Cisjordânia, para reafirmar sua legitimidade e autoridade sobre o território de Gaza, do qual foi afastada pelo Hamas em 2007. O presidente Mahmoud Abbas, que votou em Al-Bireh, defendeu a unidade do país e afirmou que eleições em toda a Faixa de Gaza serão realizadas assim que as condições permitirem.
Apesar do simbolismo, a participação foi baixa: 22,7% em Deir al-Balah e 53,44% na Cisjordânia. O Comitê Central Eleitoral Palestino informou que mais de um milhão de pessoas estavam aptas a votar, sendo 70 mil em Gaza. A baixa adesão no enclave é atribuída à crise humanitária, que prioriza a sobrevivência dos cidadãos em detrimento da política, enquanto na Cisjordânia o índice refletiu boicotes de certas facções.
O Hamas, que governa Gaza há quase vinte anos, não indicou candidatos formalmente, mas listas alinhadas ao grupo apareceram em Deir al-Balah. O desempenho desses candidatos serve como indicador da popularidade do movimento, embora a maioria dos concorrentes pertença ao Fatah ou seja independente. O grupo militante afirmou que respeitará os resultados e mobilizou policiais civis para a segurança das urnas.
A votação foi limitada em Gaza devido à destruição generalizada, com mais da metade do território sob controle de Israel e o restante sob domínio do Hamas. O processo ocorre em meio a dificuldades financeiras da Autoridade Palestina, que enfrenta problemas para pagar salários devido à retenção de receitas tributárias por Israel. O governo israelense justifica a medida como protesto contra pagamentos de assistência a prisioneiros e famílias de mortos por suas forças.
No plano internacional, governos árabes e europeus apoiam o retorno da governança da Autoridade Palestina a Gaza e a fundação de um Estado independente composto por Gaza, Jerusalém Oriental e Cisjordânia. Diplomatas ocidentais veem as eleições locais como um passo para a retomada de pleitos nacionais e para a implementação de reformas de transparência. A apuração começou imediatamente após o encerramento da votação, com resultados previstos para este sábado ou domingo.