Tecnologia

Nvidia lança plataforma de resfriamento totalmente líquido para reduzir consumo de energia e água em IA

24 de Junho de 2026 às 06:30

A Nvidia criou a plataforma DSX, que utiliza resfriamento 100% líquido na linha Rubin para eliminar ventiladores e salas refrigeradas. O sistema reduz o espaço ocupado pelos servidores e economiza energia e água em centros de dados. O calor residual da tecnologia pode ser reaproveitado para aquecimento de redes municipais

Nvidia lança plataforma de resfriamento totalmente líquido para reduzir consumo de energia e água em IA
Nvidia

A Nvidia desenvolveu a plataforma NVIDIA DSX, um projeto de referência para a construção de infraestruturas de inteligência artificial baseadas em resfriamento 100% líquido. A iniciativa surge como resposta a um alerta da ONU, emitido no início de junho, sobre os riscos físicos e a ameaça à sobrevivência humana causados pela proliferação descontrolada da IA. A organização destacou que a demanda insaciável de energia e água para resfriar centros de dados que hospedam modelos como ChatGPT, Gemini e Claude pode esgotar fontes renováveis essenciais para a descarbonização industrial e o abastecimento doméstico.

O novo sistema da empresa californiana substitui a dependência de salas refrigeradas e ventiladores por um circuito fechado de líquido. A tecnologia utiliza uma mistura de 75% de água e 25% de propilenglicol que circula a 45 graus centígrados, temperatura superior à de um jacuzzi. O fluido entra nos componentes a essa temperatura e sai a 55 graus após absorver a carga térmica dos processadores, mantendo o desempenho do silício, que suporta altas temperaturas sem falhas.

Essa arquitetura, implementada na linha Rubin, é a primeira a eliminar totalmente o resfriamento híbrido. Enquanto modelos anteriores utilizavam placas líquidas apenas para CPUs e GPUs, dependendo de aletas metálicas e ar para os demais componentes, o design Rubin resfria cada chip e componente de rede. O roteamento foi simplificado para que o líquido flua através de uma única entrada e saída, permitindo que os servidores abandonem as frentes perfuradas por painéis selados. Como resultado, máquinas que antes ocupavam seis unidades de estrutura agora demandam apenas duas.

O impacto operacional é significativo. O resfriamento de servidores costuma consumir até 40% da eletricidade de fazendas de dados. Com a nova metodologia, um centro de 50 megawatts pode economizar mais de quatro milhões de dólares anuais em energia e evitar a evaporação de 9,8 milhões de litros de água por megawatt. O sistema de resfriamento seco, composto por radiadores externos que dissipam o calor passivamente, dispensa o uso de resfriamento mecânico ativo em 99% do tempo, mesmo em regiões quentes.

Além da eficiência hídrica e energética, a remoção dos ventiladores reduz drasticamente a poluição sonora, transformando ambientes que ultrapassavam 85 decibéis em salas silenciosas. Em escala urbana, a infraestrutura deixa de ser apenas consumidora para se tornar fonte de energia: o calor residual do líquido a 55 graus pode ser canalizado para redes municipais, aquecendo hospitais, bairros residenciais e piscinas públicas, substituindo caldeiras a gás natural.

A mudança ocorre em um momento de expansão do setor, com a consultoria Dell'Oro Group estimando que o mercado de resfriamento de máquinas de IA movimentará US 7 bilhões até 2029.

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