Amazônia Legal: região concentra quase metade dos conflitos no campo em todo o Brasil
A Amazônia Legal concentra quase metade dos conflitos no campo em todo o Brasil, com 46,9% dos registros ocorrendo nessa região. O Pará lidera a lista de estados afetados por conflitos fundiários, com mais de 1.999 registros entre os anos de 2014 e 2023. A violência territorial está associada à disputa pela terra em situações como grilagem e desmatamento ilegal
Amazônia Legal: região concentra quase metade dos conflitos no campo em todo o Brasil
A Amazônia Legal é um dos principais focos da violência territorial no país, conforme estudo divulgado pela Oxfam Brasil. Entre os estados que compõem essa região, Pará e Maranhão aparecem como os mais afetados por conflitos fundiários.
Os números são alarmantes: de um total de 2.203 conflitos registrados em todo o Brasil no ano passado, quase metade (46,9%) ocorreu dentro da Amazônia Legal. O Pará lidera a lista com mais de 1.999 registros entre os anos de 2014 e 2023.
A disputa pela terra nos dois estados está associada a situações como grilagem, desmatamento ilegal, garimpo, expansão do agronegócio e atuação de redes criminosas. Além disso, o estudo identificou uma relação direta entre a violência territorial e os baixos indicadores sociais nos municípios desses dois estados.
A Oxfam também destacou a ocorrência de violência sistemática contra defensores e defensoras de direitos humanos. Entre 2021 e 2022, foram registrados 25 assassinatos relacionados a conflitos por terra e meio ambiente no país.
"O assassinato de lideranças e defensores não é apenas resultado da disputa fundiária, mas parte de uma estratégia deliberada de controle territorial e silenciamento político", afirma o estudo. Além disso, a criminalização de líderes, omissão institucional e perseguições judiciais enfraquecem a resistência coletiva na região.
A Oxfam também avalia que é fundamental reconhecer a existência do racismo ambiental como elemento que atravessa as disputas na região. "Na Amazônia, comunidades negras, indígenas e tradicionais são as mais expostas às violências fundiárias, à contaminação ambiental, à destruição de seus territórios e à negação sistemática de direitos", diz o texto.
O estudo destaca a importância da reconhecimento dos impactos sociais e culturais das disputas por terra na região. "A perda de terras e recursos naturais compromete cosmovisões, práticas tradicionais e modos de vida, levando à desintegração cultural e perda de valores seculares e ancestrais", afirma a Oxfam.
Em resumo, os números são alarmantes: quase metade dos conflitos no campo em todo o Brasil ocorreu na Amazônia Legal. É hora de reconhecer os impactos sociais e culturais dessas disputas e trabalhar para resolver esses problemas urgentemente.