Brasil entra pela primeira vez no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano
O Brasil atingiu o índice de 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal em 2024, entrando no grupo de muito alto desenvolvimento humano. Dados do PNUD mostram que todas as unidades da federação superaram níveis pré-pandemia, com destaque para o Distrito Federal (0,866) e o Maranhão (0,745)
O Brasil atingiu, em 2024, a marca de 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), ingressando pela primeira vez no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano. O avanço é registrado em comparação a 2012, quando o índice era de 0,744. Os dados foram publicados nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), agência da ONU voltada à promoção do desenvolvimento sustentável e à erradicação da pobreza.
O indicador é composto por três dimensões — renda, educação e longevidade —, variando em uma escala de 0 a 1. O resultado atual reflete a aplicação de políticas públicas nas áreas de saúde, geração de renda e educação ao longo de décadas. O relatório indica que todas as 27 unidades da federação superaram os níveis registrados antes da pandemia. Atualmente, dez estados alcançaram o nível mais alto da escala, enquanto os outros 17 situam-se no patamar de alto desenvolvimento.
O Distrito Federal apresenta o melhor desempenho do país, com 0,866, seguido por São Paulo (0,838) e Santa Catarina (0,833). No extremo oposto, os menores índices foram registrados no Maranhão (0,745), Alagoas (0,746) e Acre (0,754).
As disparidades regionais são evidentes nas três dimensões do índice. Na expectativa de vida ao nascer, o Distrito Federal registra 79,75 anos, enquanto o Amapá apresenta 74,32 anos. No quesito educação, a porcentagem de pessoas com 18 anos ou mais que concluíram o ensino fundamental é de 83,38% no Distrito Federal e de 59,14% na Paraíba. Já a renda domiciliar per capita varia entre R$ 1.465,10 no Distrito Federal e R$ 482,46 no Maranhão.
Apesar da evolução geral, o PNUD destaca que o desenvolvimento humano brasileiro ainda é distante para parte da população, evidenciando que a média não representa todos os grupos. As desigualdades permanecem significativas entre brancos, com índice de 0,851 (muito alto desenvolvimento), e negros, com 0,774 (alto desenvolvimento), embora a distância entre eles tenha diminuído na série histórica.
Diferenças semelhantes ocorrem entre gêneros: homens atingiram 0,802 pontos (muito alto desenvolvimento), enquanto mulheres registraram 0,798 (alto desenvolvimento). Essas disparidades tornam-se ainda mais acentuadas quando o IDHM é ajustado pela renda do trabalho. No que tange à desigualdade, o Brasil evoluiu de um patamar de baixo desenvolvimento humano em 2012 para médio desenvolvimento humano em 2024.