Crença de que a pobreza decorre da preguiça atinge recorde histórico em pesquisa do Datafolha
Pesquisa Datafolha indica que 40% dos brasileiros atribuem a pobreza à falta de vontade de trabalhar em 2026, contra 22% em 2022. A carência de oportunidades iguais segue como a visão predominante, citada por 58% dos entrevistados. O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios
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A percepção dos brasileiros sobre as causas da pobreza passou por uma mudança significativa nos últimos quatro anos, com um crescimento expressivo na crença de que a condição financeira precária decorre da falta de vontade de trabalhar. De acordo com levantamento do Datafolha divulgado nesta sexta-feira (3), a parcela da população que associa a pobreza à "preguiça" saltou de 22% em 2022 para 40% em 2026, o maior índice registrado desde que a série histórica do instituto foi iniciada em 2013.
Apesar desse avanço, a visão de que a pobreza é resultado da carência de oportunidades iguais para ascensão social permanece como a opinião predominante no país, embora tenha recuado de 76% em 2022 para 58% em 2026. Outros 3% dos entrevistados não souberam responder. O índice atual de 40% supera recordes anteriores de períodos de forte polarização política, como os registrados em 2013 (32%) e 2014 (37%), além dos patamares de 2017 (21%) e 2022 (22%).
O estudo revela que a interpretação do fenômeno varia conforme a renda, a profissão e a faixa etária. Entre os brasileiros com renda familiar de até dois salários mínimos, a percepção coincide com a média nacional, com 40% atribuindo a pobreza à preguiça e 58% à falta de oportunidades. Já a maior rejeição à tese ocorre na faixa de renda mais alta: 63% dos que ganham acima de 10 salários mínimos creditam a pobreza à ausência de oportunidades.
No recorte por ocupação, empresários apresentam o maior índice de associação entre pobreza e preguiça, com 56%. No extremo oposto, funcionários públicos registram a menor taxa, com 28%. A diferença geracional também é evidente, com 74% dos jovens entre 16 e 24 anos apontando causas estruturais e apenas 22% citando a preguiça. Entre pessoas com 60 anos ou mais, há um empate técnico, com 49% associando a condição à preguiça e 48% à falta de oportunidades.
O alinhamento político também influencia a visão dos entrevistados. Entre os eleitores de Lula (PT), 70% apontam a falta de oportunidades e 28% a preguiça. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 52% associam a pobreza à preguiça, enquanto 44% citam a falta de oportunidades.
A pergunta integra um bloco de dez temas sobre valores sociais e políticos da matriz ideológica do Datafolha, que abrange tópicos como migração, drogas, criminalidade e armas. A pesquisa foi realizada presencialmente nos dias 17 e 18 de junho com 2.004 eleitores a partir de 16 anos em 139 municípios. O estudo possui nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.