Cubanos superam venezuelanos e lideram as solicitações de refúgio no Brasil em 2025
Cubanos lideraram os pedidos de refúgio no Brasil em 2025, com 41.919 solicitações, representando 55,4% do total. O volume global de requerimentos cresceu 10,9%, somando 75.599 registros, segundo estudo do OBMigra e do Ministério da Justiça
Cidadãos de Cuba passaram a liderar as solicitações de refúgio no Brasil em 2025, superando a predominância histórica de venezuelanos. De acordo com o estudo Refúgio em Números 2026, elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) e pelo Ministério da Justiça, os cubanos foram responsáveis por 41.919 pedidos — 55,4% do total —, o que representa um salto de 88,1% em comparação ao ano anterior.
O volume global de pedidos de refúgio no país cresceu 10,9% em 2025, totalizando 75.599 solicitações. Este montante é o terceiro maior registro da série histórica, superado apenas pelos anos de 2018 e 2019. Venezuelanos ocuparam a segunda posição no ranking, com 21.233 pedidos, seguidos por colombianos (1.432), angolanos (1.253), marroquinos (888) e ganeses (792).
A migração cubana é impulsionada por uma economia debilitada e tensões diplomáticas com os Estados Unidos. Desde janeiro de 2026, o governo de Donald Trump impôs um bloqueio ao petróleo destinado à ilha, agravando a crise energética e provocando apagões, embora o Parlamento de Cuba tenha aprovado recentemente reformas econômicas.
O perfil dos solicitantes varia conforme a nacionalidade. Enquanto a maioria geral dos refugiados é composta por homens (55,9%), com predominância da faixa etária entre 25 e 40 anos (26.911 pessoas), o grupo de cubanos apresenta uma característica distinta: 67,8% dos requerentes têm mais de 60 anos.
No âmbito geográfico, a região Norte concentrou 52,4% das decisões do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) no ano passado. Roraima foi o estado com maior volume de processos decididos, somando 16.166 casos (32% do total), seguido pelo Amapá, com 6.372 (12,6%), e Amazonas, com 2.445 (4,8%). Nessas localidades, as solicitações provieram majoritariamente de venezuelanos (13.125), cubanos (11.490) e colombianos (524).
A maior parte dos pedidos deferidos pelo Conare (94,7%) fundamentou-se em violações generalizadas de direitos humanos, categoria na qual os venezuelanos formam o grupo principal. O órgão, vinculado ao Ministério da Justiça, simplifica os trâmites para cidadãos de países onde o Brasil reconhece a existência de graves violações humanitárias, como Síria, Afeganistão e Venezuela.
O refúgio é uma proteção legal internacional destinada a grupos em risco de vida devido a guerras civis, terrorismo, perseguições raciais ou crises climáticas. Ao conceder esse status, o Brasil assume a obrigação de não devolver o indivíduo ao local de risco e deve garantir acesso a documentação legal, saúde, educação, trabalho e liberdade religiosa. Os dados do levantamento foram divulgados nesta segunda-feira (22), em evento referente ao Dia Mundial do Refugiado, celebrado no último sábado (20), abrangendo o período de 2010 a 2025.