Fato ou Fake integra sete redações para combater a desinformação no ambiente digital
O serviço Fato ou Fake integra jornalistas de sete veículos do Grupo Globo para verificar conteúdos digitais e falas públicas, somando mais de 5 mil publicações. A operação utiliza fontes primárias e ferramentas de detecção de IA, com foco em dados objetivos. Para o debate presidencial de 2026, a estrutura mobilizará mais de 30 profissionais para checagens em tempo real
O serviço de checagem Fato ou Fake consolidou, desde julho de 2018, uma estrutura de verificação de informações que integra jornalistas de sete redações: TV Globo, GloboNews, O Globo, Valor Econômico, Extra, CBN e g1. A iniciativa unificou processos anteriormente independentes para dar maior agilidade e escala ao combate a conteúdos enganosos que circulam no ambiente digital.
Com um volume superior a 5 mil verificações publicadas, a operação monitora diariamente conteúdos virais em redes sociais e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, além de analisar falas de figuras públicas em entrevistas e debates.
Metodologia e critérios de apuração
A atuação do serviço foca em conteúdos que impactam o debate público e que podem ser validados de forma imparcial e independente. O processo de apuração é baseado em isenção, correção e agilidade, utilizando fontes primárias, documentos oficiais, registros históricos, dados estatísticos e entrevistas com especialistas.
Para enfrentar a evolução da desinformação, a equipe utiliza ferramentas de detecção de conteúdos gerados por inteligência artificial. O escopo de trabalho exclui a análise de opiniões, rumores, ofensas, previsões futuras ou teorias da conspiração.
Evolução e marcos históricos
O projeto apresentou crescimento progressivo em volume e alcance desde a sua fundação:
- 2019: Atingiu a marca de mil checagens, tendo verificado 764 declarações de políticos e 391 conteúdos da internet. No período, foi lançado um tutorial para orientar a população sobre a autenticidade de mídias digitais.
- 2020: Durante a pandemia de Covid-19, a média de publicações subiu para uma a cada oito horas. Dos 584 conteúdos de redes sociais analisados, quase dois terços tratavam do coronavírus. Foram checadas também 426 falas políticas, focadas nas eleições municipais.
- 2022: O volume anual superou 1,2 mil checagens, com destaque para a cobertura de campanhas eleitorais e a produção de séries explicativas sobre a "fábrica de desinformação política" no Brasil.
- 2025: A iniciativa expandiu sua presença para a TV aberta com um quadro no programa Mais Você, abordando a origem do termo fake news e a prevenção de golpes virtuais.
Cobertura eleitoral e tempo real
A dinâmica de verificação evoluiu para a entrega de dados em tempo real. Em 2024, as checagens passaram a ser publicadas durante a realização dos debates, antes mesmo do encerramento das transmissões.
Esse modelo será mantido em 2026, especialmente para o debate presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Para este evento, a estrutura contará com mais de 30 jornalistas e tecnologia de transcrição instantânea para selecionar falas verificáveis por dados objetivos. Os resultados serão publicados nos sites da CBN, Extra, Valor Econômico, O Globo e g1, com a exibição de um programa especial de verificações na GloboNews após o confronto.