Incêndio atinge indústria de resinas e solventes em Itaquaquecetuba na Grande São Paulo
Um incêndio atingiu, nesta terça-feira (4), uma indústria de resinas de poliéster e solventes em Itaquaquecetuba. A unidade possui 24 tanques de armazenamento e não há registro de vítimas
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Uma indústria química localizada em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, foi atingida por um incêndio de grandes proporções na tarde desta terça-feira (4). A unidade, especializada na produção e comercialização de resinas de poliéster e solventes, possui 24 tanques de armazenamento. Até o momento, não há registros de vítimas, e as autoridades ainda trabalham para identificar quais substâncias estão queimando e se os reservatórios foram comprometidos.
Riscos de inflamabilidade e vapores
A gravidade de incêndios em instalações que manipulam esses materiais está ligada à liberação de vapores inflamáveis. No caso dos solventes, substâncias utilizadas para diluir ou misturar outros componentes, a queima geralmente não começa no líquido, mas nos gases que ele libera, mesmo em temperaturas ambientes. Quando esses vapores se misturam ao oxigênio e encontram uma fonte de calor ou faísca, as chamas se propagam rapidamente.
Para mensurar esse risco, utiliza-se o ponto de fulgor, que define a temperatura mínima na qual o líquido libera vapor suficiente para criar uma mistura inflamável com o ar. De acordo com a NR-20, norma do Ministério do Trabalho e Emprego, líquidos com ponto de fulgor igual ou inferior a 60°C são classificados como inflamáveis. Esse controle técnico também é monitorado por órgãos internacionais, como o Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional (Niosh), nos Estados Unidos.
Reações químicas e instabilidade
As resinas de poliéster insaturado apresentam riscos adicionais devido à presença do estireno. Esta substância volátil, essencial para a rigidez do material final, libera vapores inflamáveis que, por serem mais pesados que o ar, podem se deslocar até encontrar um ponto de ignição, conforme dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa).
Além disso, o processo de endurecimento das resinas — a transição do estado líquido ou pastoso para o sólido — gera calor. Se esse processo ocorrer em grandes volumes ou sem controle térmico, pode haver um superaquecimento que acelera a reação química, elevando a probabilidade de incêndios, conforme estudos da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.
Estratégias de combate ao fogo
O combate a chamas envolvendo líquidos inflamáveis exige a identificação precisa do produto para a escolha da tática operacional. O uso de água é limitado ao resfriamento de estruturas e tanques vizinhos, pois jatos diretos sobre certos combustíveis podem espalhar o material em vez de extingui-lo.
Para conter o fogo, são aplicadas espumas especiais que isolam a superfície do líquido, bloqueando o contato com o oxigênio e reduzindo a emissão de vapores. Normas técnicas dos Corpos de Bombeiros de Minas Gerais e do Paraná ressaltam que a espuma deve ser compatível com o solvente específico. A Noaa recomenda, ainda, que o combate a incêndios de larga escala desse tipo seja feito à distância, priorizando o resfriamento dos recipientes. No Brasil, a segurança no manuseio e armazenamento desses insumos é regida pela NR-20 e por normas específicas de prevenção contra incêndios.