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Investigação revela trituração de 35 mil pintinhos machos em incubatório no Sul do Brasil

08 de Setembro de 2026 às 18:00 4 min de leitura

Investigação da Mercy For Animals revelou a trituração de 35 mil pintinhos machos em um dia em incubatório do Sul do Brasil. A organização propõe a sexagem in ovo como alternativa, tecnologia já instalada em São Paulo, enquanto o Congresso Nacional analisa projetos de lei para proibir a prática

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Investigação revela trituração de 35 mil pintinhos machos em incubatório no Sul do Brasil
© MERCY FOR ANIMALS/DIVULGAÇÃO

Uma investigação conduzida pela organização Mercy For Animals (MFA) revelou a prática de trituração de pintinhos machos recém-nascidos em um incubatório de grande porte na Região Sul do Brasil. O relatório documentou a morte de aproximadamente 35 mil animais em um único dia, utilizando máquinas com lâminas rotativas de alta velocidade.

O descarte ocorre porque os machos não produzem ovos e não possuem características genéticas adequadas para a produção de carne. A separação das fêmeas acontece logo após o nascimento, com os machos sendo destinados ao abate. A investigação aponta que o processo de maceração mecânica pode não ser imediato, prolongando o sofrimento de animais que possuem sistema nervoso formado e capacidade de sentir dor e medo. Além dos machos, a MFA registrou a eliminação de fêmeas com deformidades, sangramentos, nascimento prematuro ou quando a quantidade de aves excedia a demanda dos criadores.

Alternativas tecnológicas e cenário global

Para enfrentar a questão, a organização propõe a adoção da sexagem in ovo, tecnologia que identifica o sexo do embrião durante a incubação, permitindo a retirada dos machos antes da eclosão. O método já é realidade em diversos países; na União Europeia, cerca de 130 milhões de poedeiras, de um total de 340 milhões, eram provenientes desse sistema em junho deste ano.

Enquanto Alemanha, França, Áustria e Itália já possuem leis que proíbem a trituração, Noruega e Suíça caminham para a eliminação da prática via decisões de mercado. No Brasil, a primeira máquina de sexagem in ovo foi instalada em julho de 2025 no incubatório da Hy-Line do Brasil, em Nova Granada (SP). A operação teve a Raiar Orgânicos como cliente-âncora, com o compromisso de converter seu plantel de 400 mil aves. Os primeiros ovos produzidos por esse método chegaram ao mercado em dezembro de 2025.

Impacto financeiro e viabilidade industrial

Apesar da disponibilidade, a adesão à nova tecnologia no Brasil ainda é baixa. Dados da Innovate Animal Ag indicam que a máquina instalada no país opera abaixo da capacidade devido a entraves financeiros. O custo do método convencional é de cerca de R$ 7 por ave, enquanto o adicional da tecnologia varia entre R$ 5 e R$ 10, representando um acréscimo de 80% a 150% no preço do animal.

No entanto, esse valor pode ser diluído na produção final. Como uma poedeira produz cerca de 350 ovos em seu ciclo, o custo extra por ave representaria apenas alguns centavos por dúzia para o consumidor. A MFA argumenta que a implementação em países como Suíça e Noruega, mesmo sem legislação obrigatória, prova que os custos não inviabilizam a operação industrial.

Empresas como Korin, Grupo Mantiqueira e Planalto Ovos já manifestaram publicamente o interesse em suspender a trituração, desde que a tecnologia seja economicamente acessível e operacionalmente viável. Em agosto, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) participaram de um encontro nacional com produtores e empresas de tecnologia para discutir a implementação da sexagem in ovo.

Tramitação legislativa e comportamento do consumidor

Atualmente, o Brasil não possui norma federal que proíba o descarte de pintinhos machos, embora a Constituição Federal e a legislação ambiental veteis a crueldade contra animais. O tema está em debate no Congresso Nacional por meio de dois projetos:

  • PL 783/2024: de autoria da deputada Luciene Cavalcante (PSOL-SP), que recebeu parecer contrário na Comissão de Agricultura por motivos econômicos e deve seguir para o plenário.
  • PL 3034/2026: apresentado pela deputada Heloísa Helena (Rede-RJ), ainda em fase inicial de tramitação.

Paralelamente, pesquisas da Innovate Animal Ag com 1.553 consumidores brasileiros indicam forte rejeição à prática. Cerca de 73% dos entrevistados sentem desconforto com o abate de pintinhos e 76% defendem a busca por alternativas. Além disso, 79% demonstraram interesse em adquirir ovos produzidos via sexagem in ovo, com 76% dispostos a pagar mais pelo produto, com um valor médio de R$ 3,87 adicionais por dúzia.

Diante dos fatos documentados, a MFA informou que encaminhará uma denúncia ao Ministério Público para que as autoridades avaliem a legalidade das práticas registradas na investigação.

Com informações de Agência Brasil

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