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Mato Grosso é o único estado brasileiro com mais homens solteiros do que mulheres solteiras

09 de Agosto de 2026 às 09:01

Mato Grosso é o único estado brasileiro com mais homens solteiros que mulheres, registrando 102,5 para cada 100, segundo o Censo 2022. O cenário decorre da migração masculina para o agronegócio e do adiamento do casamento

Mato Grosso é o único estado brasileiro com mais homens solteiros do que mulheres solteiras
Reprodução/TV Globo

Mato Grosso apresenta uma configuração demográfica singular no Brasil, sendo o único estado onde a quantidade de homens solteiros supera a de mulheres. De acordo com o Censo 2022, a proporção é de 102,5 solteiros para cada 100 solteiras, invertendo a tendência nacional, já que a população brasileira é majoritariamente feminina devido aos índices mais altos de mortalidade entre os homens.

Impacto do agronegócio na migração

Esse cenário é impulsionado pela expansão do agronegócio, que atrai mão de obra de diversas regiões do país para trabalhar nas culturas de soja, milho e algodão. O fluxo migratório em busca de oportunidades profissionais no campo é predominantemente masculino, com jovens deixando suas cidades de origem precocemente.

Exemplos desse movimento são Alan Augusto da Silva Weinch, de 20 anos, natural de Novo Machado (RS), e Erisom Marinho de Barros, vindo de Alagoas, ambos atuando como operadores de máquinas agrícolas no estado.

Mudança no comportamento matrimonial

A situação em Mato Grosso reflete também uma tendência comportamental observada em todo o território brasileiro: o adiamento do casamento. Dados do IBGE indicam que a média de idade para a união é de 29 anos para as mulheres e 31 anos para os homens.

A priorização da estabilidade financeira, da construção da carreira e de projetos individuais tem postergado a formação de famílias. É o caso de Willian Balen, técnico em agropecuária catarinense de 27 anos, que optou por focar no crescimento profissional antes de estabelecer um relacionamento estável.

Desafios da vida no campo

Para quem trabalha distante da família, a solteirice oscila entre a autonomia e a solidão. Enquanto a independência de horários e a ausência de dependências são vistas como pontos positivos, o isolamento emocional é um custo frequente da busca por melhores condições de vida.

No cotidiano das lavouras, a dinâmica social acompanha o calendário agrícola. Para trabalhadores como Erisom Marinho de Barros, as chances de iniciar relacionamentos concentram-se nos períodos de entressafra, momento em que a redução da carga de trabalho permite maior interação social.

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