Presidente do Paraguai compara abertura de ponte com Brasil ao processo do Estreito de Ormuz
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, comparou a abertura da Ponte da Integração ao processo do Estreito de Ormuz durante a Cúpula do Mercosul. A estrutura, que liga Presidente Franco a Foz do Iguaçu, opera atualmente apenas para caminhões e liberará ônibus em 3 de agosto
Durante a Cúpula do Mercosul em Assunção, nesta terça-feira (30), o presidente do Paraguai, Santiago Peña, comparou a complexidade da abertura da Ponte da Integração Brasil-Paraguai ao processo de reabertura do Estreito de Ormuz. Para o mandatário, a viabilização da estrutura, que conecta Presidente Franco a Foz do Iguaçu, demandou um esforço superior ao enfrentado na rota marítima do Golfo Pérsico, atualmente em fase de retomada gradual após tensões entre Irã e Estados Unidos.
A declaração ocorreu na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros chefes de Estado do bloco, com exceção do presidente argentino Javier Milei. Na ocasião, Peña defendeu que a eficácia de obras de infraestrutura deve ser medida pelo impacto real gerado na vida da população.
Inaugurada em dezembro do ano passado por Lula, a Ponte da Integração Jaime Lerner é a segunda ligação viária entre os dois países na região, surgindo seis décadas após a Ponte da Amizade. O objetivo central da nova estrutura é desafogar o fluxo da ponte antiga, que registra a circulação diária de aproximadamente 45 mil veículos e 100 mil pessoas.
Embora as obras físicas tenham sido finalizadas em outubro de 2023, a operação da ponte segue em regime gradual. No momento, o tráfego está restrito a caminhões. A próxima etapa de ampliação está programada para 3 de agosto, quando serão liberados ônibus de transporte coletivo, ônibus de turismo e a circulação de caminhões vazios em horários expandidos.
O projeto teve um longo processo de maturação, levando mais de 30 anos para ser concretizado. As discussões iniciaram em 1992, com a assinatura de uma Ata de Entendimento, sendo aprovadas pelo Congresso Nacional em 1994. Em 2005, um novo acordo internacional estabeleceu o traçado e definiu que o Brasil seria o responsável pelo financiamento e pela parte técnica.
A execução da obra começou em agosto de 2019, com financiamento da Itaipu Binacional. Apesar de ter sido entregue ao final da gestão de Jair Bolsonaro, a estrutura permaneceu fechada por entraves operacionais, especialmente na implantação de rodovias de acesso e aduanas. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), as dificuldades na infraestrutura de fiscalização do lado paraguaio foram a principal causa dos atrasos.