Quase metade da população brasileira vive sem um parceiro ou parceira atualmente
Quase metade dos brasileiros vive sem parceiro, cenário impulsionado pela independência financeira e autonomia feminina. Mulheres ressignificam a solteirice ao priorizar vínculos afetivos e redes de apoio que independem de relacionamentos românticos
Quase metade da população brasileira vive atualmente sem um parceiro ou parceira, englobando pessoas que nunca se casaram, divorciados, separados ou viúvos. Esse cenário reflete uma mudança na percepção social, especialmente para as mulheres, que passam a encarar a solteirice não como solidão ou fracasso, mas como um período para investimento pessoal, construção de novos vínculos e redefinição de felicidade.
Novas redes de apoio feminino
A transformação desses paradigmas é exemplificada pela união de quatro mulheres de diferentes regiões do Brasil, que estabeleceram uma amizade profunda após se conhecerem em uma comunidade digital há cerca de um ano. O grupo é composto por:
- Thaíse Valentim, professora e empresária de 41 anos, recentemente divorciada;
- Rafaely Alves, advogada de 35 anos, que retornou ao Brasil após o término de um casamento de quase uma década;
- Sabrina Franco, de 44 anos, separada há três anos;
- Carolina Piacitelli, de 42 anos, que, apesar de estar em um relacionamento, utiliza o grupo para conexões que transcendem o estado civil.
Para as integrantes, a relação — marcada por viagens e apoio mútuo — foi fundamental para preencher lacunas emocionais pós-separação e alterar a visão sobre a vida sem um companheiro. Esse movimento é impulsionado, em grande parte, pela conquista da autonomia e da independência financeira feminina.
Pressão social e valor pessoal
Apesar da evolução, a cobrança social permanece desigual entre gêneros. A psicóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB), Valeska Zanello, aponta que ainda persistem preconceitos contra mulheres solteiras, destacando que o problema central reside em atrelar o valor pessoal ao desejo romântico. Para a especialista, os vínculos afetivos podem ser estabelecidos de múltiplas formas, não se restringindo ao modelo de casal.
No mesmo sentido, o psicanalista Lucas Bulamah observa que, embora a pressão social continue distinta para homens e mulheres, surge agora uma nova imagem feminina.
As mulheres do grupo mencionam que, embora não descartem a possibilidade de novos relacionamentos amorosos, rejeitam a premissa de que a felicidade dependa obrigatoriamente de um parceiro, priorizando laços que independem de vínculos românticos.