Achados pré-históricos revelam que os caçadores-coletores tinham capacidade de informação para a escrita há 43.000 anos
Um grupo de pesquisadores alemães utilizou algoritmos da inteligência artificial para analisar símbolos pré-históricos encontrados em cavernas nos Alpes Suábios. Os estudos revelaram que os caçadores-coletores tinham uma capacidade de informação necessária para criar um sistema de símbolos comparável ao protocuneiforme, datando há cerca de 43 mil anos. A análise foi publicada na revista PNAS (Publicação Nacional das Ciências dos Estados Unidos)
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Um achado arqueológico revoluciona o entendimento da origem da escrita humana. Um grupo de pesquisadores alemães utilizou algoritmos de inteligência artificial para analisar símbolos pré-históricos gravados em objetos encontrados em cavernas nos Alpes Suábios, datando de cerca de 43.000 anos atrás.
Os cientistas identificaram mais de 3.000 símbolos - pontos, sulcos, cruzes e linhas - que apresentam características semelhantes às da escrita protocuneiforme mais antiga conhecida. A análise revelou uma sistematicidade nos símbolos, com combinações distintas de figuras humanas e animais.
Os algoritmos detectaram também a densidade de informação equivalente à fase mais antiga do protocuneiforme nas tábuas mesopotâmicas posteriores. Isso sugere que os caçadores-coletores da cultura Auriñaciense tinham uma capacidade de informação necessária para criar um sistema de símbolos comparável ao protocuneiforme.
A escolha do material utilizado pelos auriñacienses também foi deliberada, com as figurinhas de marfim concentrando as sequências mais complexas. Isso implica que os Auriñacienses reservavam suas mensagens mais elaboradas para os objetos mais valiosos.
O achado obriga a repensar alguns fundamentos da história cognitiva humana, considerando que a origem da escrita pode ter ocorrido dezenas de milhares de anos antes do que se pensava. No entanto, há uma diferença crucial entre os símbolos pré-históricos e o protocuneiforme: enquanto este evoluiu para um sistema completo capaz de representar a língua suméria em apenas 1.000 anos, os símbolos auriñacienses permaneceram estáveis por 10.000 anos sem desenvolver maior complexidade.
Essa descoberta abre uma nova via metodológica para a arqueologia, demonstrando que algoritmos de inteligência artificial podem "ler" e comparar a complexidade estatística de marcas gravadas em osso há milhares de anos. Isso pode permitir identificar outros proto-escritos no futuro.
A análise realizada pelos pesquisadores da Alemanha, liderados por Eva Dutkiewicz e Christian Bentz, foi publicada na revista PNAS (Publicação Nacional das Ciências dos Estados Unidos). O estudo sugere que os primeiros caçadores-coletores já possuíam a capacidade de informação necessária para criar um sistema de símbolos comparável ao protocuneiforme, em termos de potencial de codificação de informações.