Alemanha testa energia geotérmica para substituir o aquecimento proveniente do carvão na região de Renânia
O Instituto Fraunhofer, a RWE Power AG e instituições acadêmicas perfuram poços em Weisweiler, na Alemanha, para viabilizar a energia geotérmica. A iniciativa visa substituir o calor do carvão após o fechamento de usinas locais em 2029. O projeto utiliza monitoramento térmico e modelos computacionais para identificar depósitos de calor em profundidades de até 3.000 metros
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Uma operação de perfuração no subsolo da região de Renânia, na Alemanha, busca viabilizar a energia geotérmica como substituta ao calor proveniente da queima de carvão. Liderada pelo Instituto Fraunhofer de Infraestruturas Energéticas e Geotecnológicas (IEG), em cooperação com a RWE Power AG e instituições acadêmicas, a pesquisa concentra-se nas proximidades de Weisweiler para garantir a manutenção do aquecimento de residências, edifícios comerciais e complexos industriais locais. A urgência da iniciativa decorre do cronograma de desativação da mina de lignito de Inden e do fechamento da usina de carvão de Weisweiler, programado para 2029.
Para mapear o potencial térmico da área, a equipe analisou dois poços exploratórios, os primeiros destinados a esse fim na região desde 2004. A perfuração EB1 atinge 100 metros de profundidade, enquanto a EB2 alcança 500 metros. Ambos os poços utilizam cabos de fibra óptica para o monitoramento contínuo da temperatura, complementados por testes geofísicos e a coleta de amostras rochosas para a definição da estrutura e condutividade térmica do terreno.
As análises iniciais revelaram que sedimentos jovens compõem as camadas superficiais, sucedidos, a partir de 70 metros, por formações de cerca de 300 milhões de anos, compostas por veios de carvão, argilitos, limolitos e arenitos. Estes últimos, devido à alta densidade e baixa permeabilidade, atuam como barreiras geológicas. A expectativa dos pesquisadores é encontrar formações calcárias mais permeáveis em profundidades próximas a 1.300 metros, o que facilitaria a circulação de fluidos e a extração do calor terrestre.
Os dados de condutividade e temperatura estão sendo integrados a modelos computacionais do subsolo do Bajo Rin. Essa representação geológica visa reduzir incertezas exploratórias e orientar municípios e empresas de energia na identificação de áreas viáveis para novas instalações. Como etapas seguintes, o consórcio planeja aplicar técnicas de imagem sísmica e realizar perfurações de até 3.000 metros para confirmar a existência de depósitos geotérmicos em larga escala, prevendo a reutilização de parte da infraestrutura do setor carbonífero para a transição energética do país.