Ciência

Alga invasora ameaça a biodiversidade do Mar Mediterrâneo ao desplacar espécies nativas de diversas regiões

12 de Agosto de 2026 às 09:06

A alga invasora Caulerpa taxifolia expandiu-se pelo Mar Mediterrâneo desde 1984, degradando ecossistemas costeiros através da produção da substância tóxica caulerpenina. A espécie, capaz de se regenerar por fragmentos, reduz populações de fauna e flora nativas em até 75%. A União Europeia e governos nacionais financiam programas de vigilância e controle para conter o avanço da planta

Alga invasora ameaça a biodiversidade do Mar Mediterrâneo ao desplacar espécies nativas de diversas regiões
Tom Fisk/Pexels

A introdução da alga tropical Caulerpa taxifolia no Mar Mediterrâneo, ocorrida na década de 1980, desencadeou um processo de degradação ecológica em diversas regiões costeiras. A espécie, classificada como invasora pelo Ministério da Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente, teria sido liberada acidentalmente em Mônaco em 1984, possivelmente através do descarte de água de aquários do Museu Oceanográfico local ou transportada por embarcações.

Expansão e características biológicas

A partir da Riviera Francesa, a alga expandiu-se para as costas da Croácia, Itália e Espanha. Em Mallorca, nas Baleares, a presença da espécie foi registrada em 1992, inicialmente na Cala d'Or. A rápida dispersão no fundo marinho é facilitada pela capacidade de regeneração total do organismo a partir de pequenos fragmentos, que podem ser transportados, inclusive, por âncoras de grandes navios.

A adaptação da Caulerpa taxifolia ao ambiente mediterrâneo apresenta anomalias biológicas, como a resistência a temperaturas próximas a 10 °C e a sobrevivência por vários dias fora da água. A espécie consegue se desenvolver tanto em lama quanto em rochas. Suspeita-se que a exposição à luz ultravioleta durante o cultivo em aquários tenha modificado a alga, tornando-a mais resistente.

Impacto no ecossistema marinho

A ameaça à biodiversidade local reside na produção de caulerpenina, uma substância tóxica que impede a alimentação de grande parte da fauna nativa. Devido a esse impacto, a espécie recebeu apelidos como "praga verde", "alga assassina" ou "Atila do Mediterrâneo".

O principal conflito ecológico ocorre na disputa por espaço com as algas nativas e as pradarias de Posidonia oceanica. Esse processo de invasão pode provocar a redução de até 75% das populações afetadas, alterando profundamente a fauna associada a esses habitats.

Medidas de controle e vigilância

Para conter o avanço da espécie, foram estabelecidas restrições à sua exibição e comercialização. A União Europeia, por meio dos fundos LIFE, junto a governos nacionais, financiou programas de vigilância e controle.

As diretrizes para o manejo de colônias suspeitas determinam a notificação imediata dos órgãos competentes e a proibição rigorosa de manipular ou arrancar a planta. A fragmentação da alga durante tentativas de remoção inadequadas atua como um vetor de propagação, acelerando a dispersão da espécie pelo oceano.

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