Ciência

Ambiente perde capacidade natural de eliminar metano durante pandemia da COVID-19

03 de Março de 2026 às 07:18

A atmosfera terrestre registrou aumento anual de 16,2 partes por bilhão em metano durante a pandemia da COVID-19. Os científicos atribuem essa perda à redução na capacidade natural da atmosfera de eliminar o gás, graças ao declínio dos radicais hidroxila (OH). Isso reforça a importância do estudo das interações entre a atmosfera e os processos naturais que ocorrem na Terra

Ambiente perde capacidade natural de eliminar metano durante pandemia da COVID-19
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A atmosfera terrestre sofreu uma perda significativa na capacidade de eliminar o metano durante a pandemia da COVID-19. Apesar das emissões humanas diminuírem drasticamente, as medições globais registraram um aumento anual de 16,2 partes por bilhão em 2020, quase o dobro da média da década anterior.

Os científicos atribuem essa surpresa a uma redução na capacidade natural da atmosfera de eliminar metano. Segundo estudo publicado na Science, cerca de 83% do aumento se deveu à perda desse processo. O elemento central dessa reação são os radicais hidroxila (OH), moléculas altamente reativas que atuam como depuradores naturais da atmosfera.

A queda nos óxidos de nitrogênio, associados ao tráfego e à combustão industrial, reduziu a formação desses radicais. Com menos OH disponíveis, o metano permaneceu mais tempo na suspensão, acumulando-se rapidamente apesar da diminuição geral da poluição.

A análise isotópica revelou que cerca de 20% do aumento restante provinha de fontes biológicas. As proporções de carbono-12 e carbono-13 apontaram para um aumento nas emissões naturais, especialmente em regiões úmidas da África tropical, favorecidas por um episódio prolongado de La Niña.

Essa descoberta é preocupante porque o metano é um potente gás de efeito estufa. O professor Euan Nisbet, da Royal Holloway University of London, explicou que os radicais hidroxila são a molécula de limpeza da atmosfera: "Oxida todas as substâncias nocivas: converte o monóxido de carbono em CO₂ e ao capturar hidrogênios, transforma o metano em CO₂".

Essas informações reforçam a importância do estudo das interações entre a atmosfera e os processos naturais que ocorrem na Terra. Além disso, destacam a necessidade de uma abordagem mais precisa para lidar com as emissões humanas e naturais de gases de efeito estufa.

Com informações de El Confidencial

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