Ciência

Amostras do asteroide Bennu revelam a presença de açúcares essenciais para a formação do RNA

30 de Outubro de 2026 às 15:03 3 min de leitura

A análise de amostras do asteroide Bennu, trazidas pela nave OSIRIS-REx, identificou a presença de ribose, glicose, carbamato e poeira de supernovas. Os achados, publicados nas revistas Nature Geoscience e Nature Astronomy, indicam que o corpo celeste é primitivo e continha ingredientes essenciais para a formação do *RNA

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Amostras do asteroide Bennu revelam a presença de açúcares essenciais para a formação do RNA
NASA acha açúcar, todos os componentes do RNA e poeira de estrelas mais antiga que o Sistema Solar em pedaços do asteroide Bennu trazidos à Terra.

A análise de amostras coletadas do asteroide Bennu revelou a presença de açúcares, componentes essenciais do RNA e poeira de estrelas ancestrais, fornecendo novas evidências sobre a formação do Sistema Solar e as origens da vida. Os materiais foram trazidos à Terra pela nave OSIRIS-REx, que realizou a manobra Touch-And-Go (TAG) na superfície do corpo celeste em 20 de outubro de 2020.

As descobertas, detalhadas em três estudos publicados pelas revistas Nature Geoscience e Nature Astronomy, indicam que o Bennu é um asteroide primitivo, originado nos primeiros dias do sistema planetário.

Componentes biológicos e a hipótese do "mundo de RNA"

Uma pesquisa liderada por Yoshihiro Furukawa, da Universidade de Tohoku, identificou a presença de ribose (açúcar de cinco átomos de carbono) e glicose (açúcar de seis átomos de carbono) nas amostras. Esta é a primeira vez que a glicose é detectada em material extraplanetário, comprovando que essa fonte de energia existia no início do Sistema Solar.

A descoberta da ribose é particularmente relevante porque, somada às cinco nucleobases e aos fosfatos já identificados anteriormente no Bennu, completa todos os ingredientes necessários para a formação da molécula de RNA. A ausência de desoxirribose — o açúcar característico do DNA — reforça a hipótese do "mundo de RNA", sugerindo que as primeiras formas de vida utilizavam o RNA tanto para armazenar informações genéticas quanto para catalisar reações químicas.

Embora a NASA esclareça que a presença desses açúcares não prova a existência de vida no asteroide, os achados indicam que as matérias-primas da vida estavam distribuídas pelo espaço e podem ter sido transportadas para a Terra primitiva via meteoritos.

"Plástico espacial" e transformações químicas

Outro estudo, coordenado por Scott Sandford e Zack Gainsforth, identificou uma substância translúcida e flexível, semelhante a uma goma ou plástico, nunca antes vista em rochas espaciais. O material, rico em nitrogênio e oxigênio, assemelha-se ao poliuretano terrestre, embora possua ligações moleculares mais aleatórias.

A análise sugere que essa substância, chamada de carbamato, formou-se a partir de amônia e gás carbônico no "asteroide-mãe" do Bennu, antes mesmo de a rocha aquecer o suficiente para conter água líquida. A detecção foi possível graças a um processo de microanálise extrema, onde um fragmento de 30 micrômetros foi isolado e analisado via microscopia eletrônica e raios X.

Poeira de supernovas e a origem do sistema

Um terceiro estudo, liderado por Ann Nguyen, focou em grãos pré-solares — poeira de estrelas que explodiram antes da formação do Sol. As amostras do Bennu apresentaram uma concentração de poeira de supernova seis vezes maior do que qualquer outro material espacial analisado até então.

Esse dado indica que o corpo progenitor do Bennu se originou em uma região do disco protoplanetário especialmente rica em detritos de estrelas mortas. A preservação desses fragmentos de silicato e matéria orgânica surpreendeu os pesquisadores, pois tais elementos costumam ser destruídos por alterações causadas por líquidos no interior de asteroides.

Logística e curadoria da missão

A coleta de material foi gerenciada pelo Centro de Voo Espacial Goddard, com a nave construída pela Lockheed Martin Space e pesquisa principal de Dante Lauretta. A missão contou com a colaboração da Agência Espacial Canadense (CSA) e da agência japonesa JAXA.

A curadoria das amostras, sediada no Centro Espacial Johnson, enfrentou um atraso inicial em outubro de 2023 devido ao volume de material recolhido, que superou as expectativas da equipe. Atualmente, os cientistas utilizam microscopia eletrônica e luz infravermelha para desmontar a composição do material quase em escala atômica.

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