Ciência

Análise de dentes revela que o Tyrannosaurus rex possuía temperatura corporal próxima a 36 °C

21 de Setembro de 2026 às 15:11 2 min de leitura

Análise de esmalte dental de um Tyrannosaurus rex revelou temperatura corporal de 36 °C, valor superior ao de répteis atuais. O estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles utilizou isótopos de carbono e oxigênio para indicar que a espécie possuía sangue quente

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Análise de dentes revela que o Tyrannosaurus rex possuía temperatura corporal próxima a 36 °C
UCLA

A análise de fragmentos de esmalte dental de um Tyrannosaurus rex revelou que o predador mantinha a temperatura corporal próxima a 36 °C. O estudo, publicado na revista Science Advances, utiliza sinais químicos preservados nos dentes para solucionar a disputa científica sobre a capacidade dos dinossauros de gerar e manter o próprio calor.

O valor identificado é comparável ao dos seres humanos e significativamente superior à média dos répteis atuais de sangue frio, que geralmente registram entre 28 e 30 °C. Essa descoberta indica que o T. rex era mais quente que o ambiente ao seu redor, reforçando a tese de que a espécie possuía sangue quente.

Metodologia e a técnica de isótopos

Para chegar a esse resultado, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles analisaram amostras de dois dentes de "Thomas", um esqueleto de T. rex com cerca de 70% de preservação, pertencente ao Museu de História Natural do Condado de Los Angeles.

A equipe desenvolveu, ao longo de dez anos, uma técnica que reduziu em 90% a quantidade de material fóssil necessária para a medição, utilizando apenas alguns miligramas de esmalte. O processo consiste na análise de isótopos de carbono e oxigênio aprisionados no tecido dental. A proporção desses elementos varia conforme a temperatura de formação do esmalte:

  • Temperaturas baixas: geram maior quantidade de laços.
  • Temperaturas elevadas: geram menor quantidade de laços.

O esmalte foi escolhido por ser um material duro e com baixa probabilidade de alteração química ao longo de 66 milhões de anos, funcionando como um termômetro pré-histórico.

Impactos no comportamento e habitat

A estabilidade térmica em 36 °C sugere que o T. rex possuía um desempenho físico prolongado, permitindo que permanecesse ativo por mais tempo do que um organismo de sangue frio, embora isso não signifique necessariamente que fosse um animal veloz.

Essa fisiologia explica a distribuição geográfica da espécie durante o Cretáceo tardio. Modelos paleoclimáticos indicam que a capacidade de manter o calor interno permitiu ao predador ocupar vastas regiões da América do Norte, abrangendo desde áreas que hoje correspondem ao Alasca até o México.

A manutenção desse metabolismo elevado, no entanto, impunha a necessidade de consumir mais alimento do que grandes répteis ectotérmicos. A técnica de análise química agora poderá ser aplicada para investigar a temperatura corporal de outros dinossauros e espécies ainda mais antigas.

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