Ciência

Análise de restos humanos em caverna na Índia revela comunidade genética anteriormente desconhecida

30 de Julho de 2026 às 06:08

Análise de restos humanos de 1.500 anos na Caverna da Velha Aranha, no Ladakh, revelou uma comunidade genética com ascendência dividida entre o norte da Índia e o Tibete. O estudo, publicado na Science Advances, indica que a mistura populacional começou há 2.800 anos. A linhagem ancestral permanece presente em grupos atuais do Himalaia, como os Balti

Análise de restos humanos em caverna na Índia revela comunidade genética anteriormente desconhecida
YouTube/Ladakh Archaeology

Restos humanos encontrados na Caverna da Velha Aranha, situada a 4.000 metros de altitude no Ladakh, ao norte da Índia, revelaram a existência de uma comunidade genética anteriormente desconhecida. O estudo, detalhado na revista Science Advances, baseou-se na análise de dez indivíduos que habitaram a região há aproximadamente 1.500 anos, em um ponto de convergência entre a Ásia Central, o Tibete e o sul da Ásia.

A recuperação dos ossos e tecidos ocorreu em 2021. Devido à altitude extrema do sítio arqueológico, a descoberta tornou-se um recurso fundamental para a compreensão das populações do Himalaia, área onde a disponibilidade de DNA antigo é historicamente limitada.

Composição Genética e Origens

A metodologia de investigação envolveu a datação por radiocarbono seguida da extração de material genético. Ao comparar as sequências obtidas com genomas de milhares de pessoas, antigas e contemporâneas, a equipe identificou um perfil biológico raro: a ascendência dos indivíduos era dividida equitativamente, com 50% de conexão com grupos do norte da Índia e 50% com antigas populações tibetanas.

Para precisar a cronologia desse processo, foram analisados os fragmentos de DNA herdados. Através de modelos matemáticos que medem a fragmentação desses segmentos ao longo das gerações, constatou-se que a mistura populacional teve início há cerca de 2.800 anos, ou seja, 1.300 anos antes do período em que os indivíduos da caverna viveram.

Legado e Descendência

Embora a análise genética tenha sido conclusiva sobre a composição do grupo, os pesquisadores ressaltam que a mistura biológica não ocorreu necessariamente no Ladakh. Atualmente, a genética é a única fonte de informação disponível, dada a escassez de registros sobre a cultura, a organização social ou as migrações dessa comunidade.

A investigação comprovou que esse grupo não foi extinto. Parte de sua herança genética permanece presente em populações atuais do Himalaia, especificamente entre as comunidades de Balti e mineradores residentes no Ladakh, estabelecendo um vínculo direto entre os habitantes contemporâneos e a linhagem ancestral recuperada na caverna.

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