Análise de rochas na Índia revela a presença de vida primitiva há 3,5 bilhões de anos
Análise de rochas do cratão de Singhbhum, na Índia, identificou vida primitiva datada de 3.497 milhões de anos. O estudo, publicado na revista PNAS, utilizou evidências térmicas, isotópicas e morfológicas para confirmar a presença de microorganismos unicelulares. A datação foi precisada por meio de cristais de circônio encontrados no material
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Uma análise de rochas do cratão de Singhbhum, na Índia, revelou a presença de vida primitiva em um período de aproximadamente 3.497 milhões de anos. O estudo, conduzido por uma equipe liderada pela geóloga Trisrota Chaudhuri, do Serviço Geológico da Índia, identificou a preservação de carbono e minerais que permitem compreender as condições da Terra há cerca de 3,5 bilhões de anos. Os resultados foram publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
A investigação concentrou-se em uma camada de carbono encontrada em rochas de sílex carbonosa de Bhitardari. O objetivo inicial era compreender a origem desse material e os processos geoquímicos que permitiram sua conservação, considerando que o carbono pode ser originado tanto por atividade biológica quanto por processos abióticos, como o vulcanismo.
Evidências de origem biológica
Para confirmar a natureza orgânica do material, os pesquisadores utilizaram três linhas de evidência independentes:
- Análise térmica: Através da espectroscopia Raman, constatou-se que o carbono atingiu temperaturas máximas entre 324 e 369 °C. Esse valor é inferior ao registrado em veias de quartzo posteriores, indicando que o material já integrava a rocha desde sua formação original.
- Assinatura isotópica: A análise revelou a predominância do isótopo carbono-12 em detrimento do carbono-13. Como microorganismos preferem o isótopo mais leve em seu metabolismo, essa composição é característica de matéria orgânica.
- Morfologia: O carbono estava organizado em camadas finas e repetidas, intercaladas com sílica, estrutura compatível com a organização de antigas colônias de microorganismos unicelulares.
Datação e precisão geológica
A confirmação da idade do depósito foi possível graças à descoberta de cristais de circônio misturados às camadas carbonosas. O mineral funciona como um relógio geológico devido à desintegração do urânio em plomo. Dos oito cristais analisados, quatro apresentaram idades coincidentes, situando a formação em 3.497 milhões de anos, com uma margem de erro de cinco milhões de anos.
A equipe descartou a hipótese de que os cristais fossem fragmentos antigos de outras rochas. A morfologia alongada, semelhante a agulhas, indica que o material era vulcânico e recém-cristalizado no momento em que a rocha de sílex se formou, descartando o desgaste arredondado típico da erosão.
O cenário da Terra primitiva
O achado estabelece uma conexão direta entre a datação radiométrica e a possível existência de colônias microbianas, sem a necessidade de depender de datações indiretas de rochas vizinhas. Os dados descrevem um planeta com vulcanismo ativo, oceanos ricos em sílica e ferro, e baixas concentrações de oxigênio.
A descoberta comprova que ecossistemas capazes de se adaptar a condições químicas extremas já prosperavam na Terra há 3,5 bilhões de anos, fornecendo dados concretos para o refino das teorias sobre a origem da vida.