Ciência

Análise de sinais de rádio indica que o objeto interestelar 3I/ATLAS tem natureza natural

05 de Junho de 2026 às 15:21

Análise de sinais de rádio do objeto interestelar 3I/ATLAS, publicada no The Astronomical Journal, não encontrou evidências de origem artificial. Pesquisadores do Instituto SETI monitoraram o corpo natural, com características de cometa, utilizando o Allen Telescope Array. O estudo descartou tecnoassinaturas após a triagem de 74 milhões de sinais

Análise de sinais de rádio indica que o objeto interestelar 3I/ATLAS tem natureza natural
Mul Berry Reclaims

A análise de sinais de rádio do 3I/ATLAS, o terceiro objeto de origem interestelar confirmado a cruzar o Sistema Solar, não revelou evidências de origem artificial. O estudo, publicado nesta quarta-feira (3) no The Astronomical Journal, indica que o visitante possui natureza compatível com a de um cometa, reforçando a interpretação de que se trata de um corpo natural.

A investigação foi conduzida por pesquisadores do Instituto SETI, que utilizaram o Allen Telescope Array (ATA), nos Estados Unidos, para monitorar o objeto em frequências entre 1 e 9 gigahertz durante mais de sete horas. O processo envolveu a triagem de quase 74 milhões de sinais de rádio, dos quais apenas 211 foram selecionados para inspeção detalhada. No entanto, nenhum desses eventos resistiu à verificação final, sendo todos atribuídos a interferências de satélites ou tecnologias humanas terrestres.

Identificado em julho de 2025 pelo sistema ATLAS, o objeto apresentava velocidade elevada e trajetória hiperbólica, características que comprovam sua formação fora da vizinhança solar. Observações complementares de diversos grupos de pesquisa detectaram a presença de uma nuvem de gás e poeira ao redor do núcleo, evidência típica de atividade cometária.

Apesar da ausência de tecnoassinaturas, a equipe de pesquisa defende a importância de investigar visitantes interestelares sob a perspectiva da busca por inteligência extraterrestre. Para a autora principal, Sofia Sheikh, a análise é fundamental para estabelecer quais características são comuns a essa população de objetos, permitindo que anomalias sejam identificadas no futuro. Sheikh ressalta que a compreensão da distribuição natural desses corpos é essencial, considerando que sondas humanas, como as Voyager, eventualmente se tornarão artefatos extraterrestres em outros sistemas.

A operação demonstrou a agilidade do observatório, com as observações iniciando-se cerca de 23 horas após o anúncio da descoberta do 3I/ATLAS. A utilização de uma faixa ampla do espectro de rádio proporcionou uma cobertura superior a buscas anteriores, enquanto técnicas de filtragem foram aplicadas para isolar ruídos de sistemas de comunicação. Segundo a coautora Valeria Garcia Lopez, o estudo valida a capacidade da tecnologia atual em detectar sinais, justificando a continuidade da busca por tecnoassinaturas mesmo em objetos onde a probabilidade de encontrá-las é baixa.

A pesquisa também permitiu definir limites técnicos para possíveis transmissões próximas ao objeto. Os cientistas determinaram que, nas frequências analisadas, não havia sinais com potência superior a aproximadamente 10^110 watts, patamar comparável ao consumo de eletrodomésticos.

O legado do trabalho concentra-se na metodologia, comprovando que observatórios podem reagir rapidamente a novos objetos interestelares para realizar buscas sistemáticas. Além de aprimorar a detecção de sinais tecnológicos, essas campanhas contribuem para o entendimento da composição e do comportamento de materiais originados em outros sistemas planetários, devendo tornar-se um procedimento rotineiro a cada nova descoberta interestelar.

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