Análises de DNA identificam quatro tripulantes de expedição britânica desaparecida no Ártico no século XIX
Análises de DNA antigo e de descendentes identificaram quatro tripulantes da expedição de Sir John Franklin, desaparecida no Ártico no século XIX. Os marinheiros William Orren, David Young, John Bridgens e Harry Peglar foram localizados em esqueletos encontrados nas rotas dos navios HMS Erebus e HMS Terror
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Análises de DNA antigo e a colaboração de descendentes vivos permitiram a identificação de quatro tripulantes da expedição de Sir John Franklin, desaparecida no Ártico no século XIX. O estudo, detalhado nas publicações Journal of Archaeological Science: Reports e Polar Record, soluciona lacunas sobre a identidade de homens que morreram durante a tentativa britânica de explorar a região polar.
A tragédia envolveu os navios HMS Erebus e HMS Terror, que ficaram retidos no gelo. Em abril de 1848, após quase dois anos de imobilidade, os 105 sobreviventes — de um grupo original de 129 homens — abandonaram as embarcações para tentar retornar a pé, utilizando trenós e botes. Nenhum dos integrantes do grupo conseguiu sobreviver à jornada.
Identificação de tripulantes
Antropólogos da Universidade de Waterloo compararam amostras genéticas extraídas de esqueletos encontrados nas rotas da expedição com o DNA de familiares atuais. O processo resultou na identificação de quatro nomes que permaneciam anônimos há 178 anos:
- William Orren (marinheiro);
- David Young (marinheiro de primeira classe);
- John Bridgens (assistente de oficiais subalternos);
- Harry Peglar (chefe de mastros).
Orren, Young e Bridgens integravam a tripulação do HMS Erebus e faleceram na Baía Erebus. Já Harry Peglar, do HMS Terror, foi localizado a aproximadamente 130 quilômetros de distância dos demais. A identificação de Peglar é considerada crucial para a reconstrução do trajeto da expedição, pois seu corpo foi encontrado acompanhado de raros documentos escritos da época.
Contexto e causas da tragédia
A descoberta amplia o catálogo de identificações da missão, que já incluía o capitão James Fitzjames e o engenheiro John Gregory. No caso de Fitzjames, as análises dos restos humanos indicaram a ocorrência de canibalismo.
A investigação sobre os restos humanos ao longo das rotas busca compreender os fatores que levaram ao colapso do grupo. Entre as causas prováveis do desaparecimento e morte dos tripulantes estão a hipotermia, a fome, a exposição extrema ao frio, doenças e a possibilidade de envenenamento por chumbo.
Para os descendentes dos exploradores, os resultados do estudo revelam a localização exata e as circunstâncias da morte de seus antepassados, além de esclarecer quem eram os companheiros de navio que morreram ao lado deles.