Anatomia do peixe-remo inspira a criação de robôs submarinos com propulsão silenciosa
A anatomia da nadadeira dorsal do peixe-remo serve de base para a criação de robôs submarinos com propulsão silenciosa. Pesquisadores da Universidade de Cornell identificaram que a rotação independente dos raios da nadadeira permite movimentos precisos sem oscilação do corpo. O projeto visa substituir hélices por superfícies flexíveis para reduzir o ruído em máquinas de vigilância oceânica
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A anatomia do peixe-remo, espécie que pode atingir 17 metros de comprimento, tornou-se a base para o desenvolvimento de robôs submarinos com propulsão silenciosa. Um estudo publicado na revista Ichthyology and Herpetology detalhou a estrutura da nadadeira dorsal do animal, revelando um mecanismo de locomoção que dispensa a oscilação lateral do corpo, comum em outros peixes alongados.
A descoberta ocorreu enquanto o engenheiro Rob Shepherd, da Universidade de Cornell, buscava soluções biológicas para criar uma plataforma de observação oceânica. O projeto, financiado pela Office of Naval Research, visa construir máquinas de vigilância capazes de transportar instrumentos e se deslocar sem gerar o ruído típico de sistemas mecânicos, permitindo a observação de organismos marinhos sem alterar seu comportamento natural.
Mecanismo de propulsão e anatomia
Para compreender a manobrabilidade do animal, a equipe de pesquisadores utilizou tomografias computadorizadas, radiografias, histologia, dissecações e a análise de um exemplar da Smithsonian Institution. O estudo identificou que a nadadeira dorsal é composta por centenas de raios ligados a uma membrana superior e a uma estrutura inferior composta por músculos, cartilagem e uma articulação esférica.
Essa configuração permite que cada raio gire de forma independente em um ciclo completo, funcionando de maneira análoga a um joystick. Essa mobilidade possibilita que diferentes partes da mesma nadadeira gerem ondas em direções opostas simultaneamente, conferindo ao peixe um controle preciso de movimento e a capacidade de mudar a propulsão rapidamente sem mover o corpo.
Aplicações na engenharia biomimética
A pesquisa de Willy Bemis, professor emérito de Cornell e autor principal do trabalho, destaca que essa estratégia de locomoção por nadadeiras em forma de fita evoluiu independentemente em cerca de 10 espécies de peixes ósseos. No caso do peixe-remo, essa anatomia também sustenta a postura vertical do animal durante a alimentação de pequenos crustáceos.
O objetivo de Shepherd é transferir esse princípio para a engenharia submarina, substituindo hélices convencionais por superfícies flexíveis e coordenadas. A meta é criar sistemas biomiméticos com presença acústica reduzida e maior manobrabilidade. O próximo passo da investigação será comparar se outras espécies com locomoção similar possuem a mesma capacidade de rotação completa nos raios dorsais.
Mitos e realidade científica
Apesar da relevância técnica, o peixe-remo é popularmente conhecido no Japão como ryūgū no tsukai ("mensageiro do palácio do deus do mar") e associado a previsões de tsunamis e terremotos, especialmente após aparições antes do desastre de Tōhoku em 2011.
Contudo, não existe comprovação científica para essa capacidade preditiva. Um estudo de 2019, publicado no Bulletin of the Seismological Society of America, analisou registros japoneses e concluiu que não há relação espaço-temporal significativa entre a presença desses peixes em águas rasas e a ocorrência de tremores.