Antártida registra terceiro inverno consecutivo com a menor extensão de gelo marinho em cinco décadas
A Antártida registrou o terceiro menor volume de gelo marinho em quase cinco décadas, com recuo acelerado a partir de 2 de outubro. Dados do NSIDC e da NASA apontam mínimos históricos em 2026, especialmente nos mares de Ross, Amundsen e Oceano Índico
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A Antártida apresenta uma anomalia significativa em sua cobertura de gelo marinho, com dados de satélite indicando um retrocesso excepcional nas águas que circundam o continente. Embora a extensão tenha alcançado 17,59 milhões de quilômetros quadrados — área quase duas vezes maior que a do Brasil —, este volume marca o terceiro inverno com a menor extensão de gelo em quase cinco décadas.
Dinâmica de retrocesso e recordes históricos
De acordo com informações do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos EUA (NSIDC) e da NASA, o gelo marinho atingiu sua extensão máxima anual no dia 14 de setembro. No entanto, a partir de 2 de outubro, houve um recuo acelerado que resultou em mínimos diários históricos, superando inclusive os recordes negativos registrados em 2023.
O relatório do NSIDC, emitido em 7 de outubro, confirma a persistência de valores excepcionalmente baixos nos últimos anos, especialmente em 2026. Esse declínio foi mais acentuado nos mares de Ross e Amundsen, além da região do Oceano Índico.
Fatores geográficos e climáticos
A configuração da Antártida, caracterizada por uma massa de terra cercada pelo Oceano Austral, diferencia seu comportamento do Ártico. Essa geografia permite a expansão do gelo no inverno, mas também o desloca para latitudes com águas menos frias, acelerando o derretimento com a chegada da primavera austral e a elevação das temperaturas.
A oscilação da superfície gelada é atribuída a uma interação complexa entre a atmosfera e o oceano. No entanto, a comunidade científica ressalta que ainda não é possível vincular os recordes de 2026 a uma causa única.
Histórico de variações e perda de massa glacial
A instabilidade na cobertura de gelo não é recente. Entre 2012 e 2014, a região registrou três recordes consecutivos de extensão invernal, mas a tendência se inverteu a partir de 2016, com retrocessos significativos intercalados por recuperações pontuais.
Além do gelo marinho, a perda de massa continental é um ponto crítico. Um estudo publicado na revista Scientific Data, que analisou 42 estudos e 27 missões de satélite, revelou que os mantos de gelo da Antártida e da Groenlândia perderam, juntos, mais de 11,3 bilhões de toneladas de gelo entre 1979 e 2023.
Essa redução de gelo continental, diferentemente do gelo marinho que já flutua sobre a água, impactou diretamente o nível do mar, que subiu 31,4 milímetros no período. Diante desse cenário, a manutenção da vigilância por satélite é considerada essencial para distinguir flutuações naturais de mudanças persistentes no comportamento polar.