Aquecimento global acelera a perda de umidade no solo e nos rios da Europa
Análise da World Weather Attribution indica que o aquecimento global intensificou a evapotranspiração potencial na Europa, acelerando a perda de umidade do solo e rios. Na Europa Ocidental, condições de evaporação extrema tornaram-se 80 vezes mais prováveis entre abril e junho, enquanto no Leste o aumento foi de 40 vezes entre janeiro e junho. O fenômeno causou perdas agrícolas, restrições no consumo de água e prejuízos na produção hidrelétrica
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O aquecimento global alterou a dinâmica do ciclo hídrico na Europa, fazendo com que invernos chuvosos não sejam mais garantia de reservas suficientes para a estação seguinte. Uma análise da World Weather Attribution revelou que o aumento da temperatura atmosférica intensificou a demanda por evaporação, acelerando a perda de umidade em rios, reservatórios, vegetação e no próprio solo.
O impacto da evapotranspiração potencial
O fenômeno é impulsionado pela evapotranspiração potencial, que mede a capacidade da atmosfera de extrair umidade da superfície. Com a elevação das temperaturas, o ar absorve vapor de forma mais agressiva, intensificando a transpiração das plantas e a evaporação do solo até o esgotamento das reservas.
Essa mudança deslocou os limites tradicionais da seca. Déficits de precipitação que anteriormente causariam impactos moderados agora resultam em crises agrícolas e ecológicas severas, pois o calor extremo consome a água acumulada com maior rapidez.
Probabilidades e disparidades regionais
Entre abril e junho, a Europa Ocidental apresentou condições de evaporação extrema que se tornaram cerca de 80 vezes mais prováveis no cenário climático atual. Já na Europa Oriental, o aumento da probabilidade foi de 40 vezes no período entre janeiro e junho, diferença atribuída ao crescimento da evapotranspiração potencial.
A análise da umidade do solo indica que:
- Na região Ocidental, secas com essas características ocorrem agora a cada cinco anos, sendo cinco vezes mais prováveis do que em um planeta 1,4°C mais frio.
- No Leste europeu, o déficit hídrico analisado é esperado a cada 15 anos, com a probabilidade multiplicada por 11.
Consequências para a infraestrutura e agricultura
Durante a primavera e o início do verão de 2026, a combinação de alta incidência solar, temperaturas extremas e chuvas escassas afetou amplas áreas do continente. Mesmo em regiões da Europa Ocidental que iniciaram o ano com chuvas abundantes, o calor consumiu rapidamente as reservas, prejudicando as plantações no momento de maior necessidade hídrica.
Essa redução da umidade do solo gera pressões diretas sobre a agricultura europeia, limitando o crescimento vegetal e elevando a suscetibilidade a pragas e doenças. O estudo registra perdas históricas em culturas específicas, além de restrições no consumo de água e prejuízos no transporte de mercadorias e na produção hidrelétrica devido ao baixo nível dos rios.
Diante desse cenário, a gestão de recursos hídricos, florestais e agrícolas não pode mais depender exclusivamente da medição de chuvas acumuladas. O planejamento deve integrar a temperatura, a umidade atmosférica e a evaporação, visto que a capacidade do calor de extrair água do solo continuará a crescer com o aquecimento global.