Arqueólogos descobrem câmara secreta isolada há três séculos no Castelo da Galícia, na Ucrânia
Arqueólogos da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia descobriram, em 2025, uma câmara selada desde 1676 no Castelo da Galícia. O espaço, acessado após a remoção manual de entulho, apresenta características de casamata e motivou a ampliação das escavações na torre de entrada

Arqueólogos da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia localizaram, em 2025, uma câmara secreta no Castelo da Galícia, também chamado de Castelo de Starasta, no oeste do país. O espaço permaneera isolado por mais de três séculos, tendo sido selado após os danos causados à fortaleza durante a Guerra Turco-Polonesa de 1676. A obstrução ocorreu no poço de ventilação que dava acesso ao local, tornando-o inacessível até a recente escavação.
Para alcançar a sala, a equipe removeu manualmente mais de 5.200 pés cúbicos de entulho, visto que o poço era estreito e o uso de máquinas pesadas colocaria em risco a integridade da estrutura e dos artefatos. Vladimir Oleynik, diretor-geral da Reserva Nacional da Antiga Galich, confirmou que o isolamento total da área ocorreu após a explosão do século XVII e que a remoção manual foi a estratégia adotada para preservar os vestígios arqueológicos.
A análise do ambiente revelou paredes com fuligem e uma estrutura reforçada, características que sugerem a função de casamata, utilizada historicamente para o teste ou armazenamento de armamentos. O poço de ventilação teria a finalidade de dissipar a fumaça no interior do espaço subterrâneo. Embora a hipótese militar seja predominante devido aos sinais de fogo e fumaça, os pesquisadores investigam se a câmara poderia ter servido como arquivo, tesouraria, depósito judicial, prisão ou cofre. A definição exata do uso do espaço depende agora do estudo dos artefatos encontrados.
O Castelo da Galícia possui um histórico de transformações: originou-se como fortaleza de madeira no século XII, passou por renovações no século XIV sob a gestão de Casimiro III, o Grande, e foi redesenhada no início do século XVII pelo arquiteto Francisco Corazzini.
A descoberta impulsionou a ampliação das escavações em agosto de 2025, com foco na torre de entrada. O arqueólogo Yuriy Lukomskyi indicou a existência de seis abóbadas nessa área. A primeira cripta, situada a seis metros de profundidade, conecta-se a outras duas, enquanto poços de ventilação sugerem a presença de mais três criptas em níveis inferiores, ainda não exploradas.
Durante as atividades, foram recuperados fragmentos de azulejos de fogão datados dos séculos XVII e XVIII, evidenciando reformas ou uso contínuo da estrutura após o cerco original. Além disso, a identificação de uma pequena abertura nas paredes da câmara mantém a possibilidade de a existência de túneis secretos, conforme sugerido por relatos locais, o que deve nortear as próximas etapas da investigação.