Ciência

Arqueólogos descobrem câmara secreta isolada há três séculos no Castelo da Galícia, na Ucrânia

26 de Maio de 2026 às 15:09

Arqueólogos da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia descobriram, em 2025, uma câmara selada desde 1676 no Castelo da Galícia. O espaço, acessado após a remoção manual de entulho, apresenta características de casamata e motivou a ampliação das escavações na torre de entrada

Arqueólogos descobrem câmara secreta isolada há três séculos no Castelo da Galícia, na Ucrânia
Imagem: Ilustração artística

Arqueólogos da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia localizaram, em 2025, uma câmara secreta no Castelo da Galícia, também chamado de Castelo de Starasta, no oeste do país. O espaço permaneera isolado por mais de três séculos, tendo sido selado após os danos causados à fortaleza durante a Guerra Turco-Polonesa de 1676. A obstrução ocorreu no poço de ventilação que dava acesso ao local, tornando-o inacessível até a recente escavação.

Para alcançar a sala, a equipe removeu manualmente mais de 5.200 pés cúbicos de entulho, visto que o poço era estreito e o uso de máquinas pesadas colocaria em risco a integridade da estrutura e dos artefatos. Vladimir Oleynik, diretor-geral da Reserva Nacional da Antiga Galich, confirmou que o isolamento total da área ocorreu após a explosão do século XVII e que a remoção manual foi a estratégia adotada para preservar os vestígios arqueológicos.

A análise do ambiente revelou paredes com fuligem e uma estrutura reforçada, características que sugerem a função de casamata, utilizada historicamente para o teste ou armazenamento de armamentos. O poço de ventilação teria a finalidade de dissipar a fumaça no interior do espaço subterrâneo. Embora a hipótese militar seja predominante devido aos sinais de fogo e fumaça, os pesquisadores investigam se a câmara poderia ter servido como arquivo, tesouraria, depósito judicial, prisão ou cofre. A definição exata do uso do espaço depende agora do estudo dos artefatos encontrados.

O Castelo da Galícia possui um histórico de transformações: originou-se como fortaleza de madeira no século XII, passou por renovações no século XIV sob a gestão de Casimiro III, o Grande, e foi redesenhada no início do século XVII pelo arquiteto Francisco Corazzini.

A descoberta impulsionou a ampliação das escavações em agosto de 2025, com foco na torre de entrada. O arqueólogo Yuriy Lukomskyi indicou a existência de seis abóbadas nessa área. A primeira cripta, situada a seis metros de profundidade, conecta-se a outras duas, enquanto poços de ventilação sugerem a presença de mais três criptas em níveis inferiores, ainda não exploradas.

Durante as atividades, foram recuperados fragmentos de azulejos de fogão datados dos séculos XVII e XVIII, evidenciando reformas ou uso contínuo da estrutura após o cerco original. Além disso, a identificação de uma pequena abertura nas paredes da câmara mantém a possibilidade de a existência de túneis secretos, conforme sugerido por relatos locais, o que deve nortear as próximas etapas da investigação.

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