Arqueólogos descobrem depósito com 22 múmias de cantores de Amun em Luxor no Egito
Arqueólogos encontraram em Qurna, Luxor, um depósito funerário com 22 caixões de madeira contendo múmias de sacerdotes e sacerdotisas de Amun datadas entre 1069 a.C. e 664 a.C. A câmara, localizada sob a Tumba de Seneb, também abrigava oito papiros selados e potes de cerâmica com resinas e óleos

Arqueólogos descobriram, em Qurna, na margem oeste de Luxor, um depósito funerário composto por uma câmara retangular escavada na rocha sob o pátio sudoeste da Tumba de Seneb. O achado, anunciado em 28 de fevereiro de 2026, foi realizado por uma missão coordenada pela Fundação Zahi Hawass para a Herança e Antiguidades e é classificado pelo ministro do Turismo e Antiguidades, Sherif Fathy, como uma adição significativa ao registro arqueológico egípcio.
A câmara, que permanecia invisível na superfície sob uma laje rebaixada no pátio, abrigava 22 caixões de madeira pintada contendo múmias. O arranjo interno revela um planejamento ritual rigoroso, com os caixões organizados em dez fileiras horizontais, onde tampas e bases foram separadas para otimizar o espaço. A estrutura indica que a tumba original foi reutilizada intencionalmente como depósito em fases posteriores.
A maioria dos indivíduos mumificados detém o título hieroglífico de "Cantor de Amun" ou "Cantora de Amun". Essa classe sacerdotal era responsável pelos rituais diários dedicados ao deus Amun em Karnak e em outros templos do alto Egito. O grupo de múmias datado entre 1069 a.C. e 664 a.C. (dinastias 21 a 25) representa a maior concentração dessa categoria profissional já registrada em um único depósito, superando em quatro vezes a média comum de cinco a dez peças em achados similares.
Este intervalo temporal corresponde ao Período Intermediário III, época de fragmentação política após o colapso do Novo Império. Enquanto o poder político migrava para o Delta, Tebas consolidava-se como centro religioso, elevando o peso administrativo de sacerdotes e cantores. A análise das pinturas nos caixões deve auxiliar no refinamento da cronologia oficial desse período, que possui menos documentação que os impérios Médio e Novo.
Além dos sarcófagos, a equipe localizou oito papiros selados com argila, conservados dentro de um grande pote de cerâmica. Documentos intactos desse período são raros, com a última descoberta de magnitude comparável tendo ocorrido na década de 1960. Os rolos, de dimensões variadas, estão sob custódia de restauradores no Museu Egípcio, no Cairo, que definem o protocolo de abertura mecânica e análise química para evitar a destruição da estrutura.
O depósito também continha potes de cerâmica que armazenavam resinas e óleos utilizados nos processos de mumificação. Esses recipientes aguardam análise para a identificação de vestígios químicos.
A identificação individual das múmias dependerá de exames complementares, incluindo análises de DNA para verificar possíveis parentescos entre as Cantoras de Amun. Após a conclusão da fase de conservação, o ministério planeja realizar uma exposição pública, embora o calendário ainda não tenha sido divulgado. Novos detalhes sobre a descoberta serão apresentados pela Fundação Hawass em conferências previstas para o segundo semestre de 2026.