Ciência

Arqueólogos encontram múmia revestida de ouro em túmulo intacto de Saqqara no Egito

14 de Maio de 2026 às 09:14

Uma expedição da Fundação Zahi Hawass e do Conselho Supremo de Antiguidades encontrou em Saqqara uma múmia revestida de ouro em um caixão de calcário. A descoberta inclui três tumbas das dinastias V e VI pertencentes a um sacerdote, um juiz e um homem identificado como Messi. O grupo utilizará tomografia e fotografia multiespectral para analisar os achados

Arqueólogos encontram múmia revestida de ouro em túmulo intacto de Saqqara no Egito
Equipe arqueológica em escavação no poço de 15 metros em Saqqara (representação artística).

Uma expedição conduzida pela Fundação Zahi Hawass de Arqueologia e Patrimônio, em cooperação com o Conselho Supremo de Antiguidades, localizou em Saqqara uma múmia revestida de ouro preservada em um caixão de calcário. O artefato foi encontrado lacrado ao fundo de um poço de 15 metros, cuja entrada permanecia vedada por argamassa antiga, evidenciando que o túmulo não havia sido violado desde o período do Antigo Reino do Egito.

A descoberta é considerada rara devido ao estado de conservação do ouro, material que geralmente era removido por saqueadores. A técnica utilizada consistiu na aplicação de folhas finas de ouro fixadas às bandagens por meio de resina vegetal, procedimento destinado a indivíduos de alto status. Na cosmologia do Antigo Reino, o metal representava a "carne dos deuses" e tinha a função de proteger o corpo durante a transição para a vida após a morte.

O sítio arqueológico revelou ainda três tumbas adjacentes datadas entre as dinastias V e VI (2500 a 2100 a.C.). Os sepultamentos pertenciam a Khnumdjedef, sacerdote do culto do faraó Unas — último monarca da V dinastia —, e a Fetek, que exercia as funções de juiz e escriba, cargos de confiança da casa real. Uma terceira tumba, com inscrições parcialmente apagadas, indica a presença de um homem cujo nome foi provisoriamente identificado como Messi e segue sob análise.

As evidências encontradas ampliam a compreensão sobre a elite jurídica e religiosa da época. As inscrições detalham oferendas de óleo, cerveja e pão aos deuses Anúbis e Osíris, além de apresentarem listas de cargos palacianos que fornecem dados sobre a administração do Antigo Reino. O achado também permite a datação precisa de rituais funerários, demonstrando que elementos posteriormente atribuídos ao reinado de Tutancâmon, na XVIII dinastia, já eram utilizados séculos antes.

Localizada a 30 quilômetros ao sul do Cairo, a necrópole de Saqqara abriga a Pirâmide Escalonada de Djoser e centenas de tumbas ainda não catalogadas. Este conjunto específico de sepulturas pode revelar a rede de funcionários e o culto associado ao faraó Unas.

Para a continuidade dos estudos, a equipe utilizará tomografia computadorizada para examinar o corpo sem desmanchar a múmia, além de fotografia multiespectral para recuperar pigmentos de hieróglifos desgastados pela umidade. O caixão será devolvido à câmara com a instalação de um sistema de controle de umidade para a preservação do ouro e da resina. Os resultados da expedição serão publicados em revistas científicas durante o ano de 2026.

O contexto de descobertas no Egito é amplo: nos últimos 18 meses, houve mais de dez achados relevantes em Giza, Luxor e Saqqara. Em novembro de 2025, o governo inaugurou o Grande Museu Egípcio em Gizé, complexo de 50 hectares e custo de US$ 1,2 bilhão, que abriga 100 mil artefatos, incluindo 5.398 peças da coleção de Tutancâmon. O impacto econômico do turismo arqueológico em 2025 atingiu US$ 14,2 bilhões em receita, com 15,7 milhões de visitantes, conforme dados do Banco Central do Egito.

Ainda este ano, Zahi Hawass prevê anunciar novas revelações sobre a Grande Pirâmide, embora seu estilo de divulgação seja alvo de críticas por parte de outros arqueólogos.

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