Ciência

Arqueólogos identificam a primeira evidência de pintura rupestre com moldes no sul da África

01 de Novembro de 2026 às 18:22 2 min de leitura

Arqueólogos identificaram duas figuras antropomórficas de nove centímetros feitas com a técnica de estarcido no abrigo de La Rochelle, na África do Sul. As imagens em negativo, reveladas por ferramenta digital, representam a primeira evidência de pintura rupestre com moldes no sul da África

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Arqueólogos identificam a primeira evidência de pintura rupestre com moldes no sul da África
David Pearce

Arqueólogos identificaram a possível primeira evidência de pintura rupestre com moldes no sul da África. A descoberta consiste em duas figuras antropomórficas de nove centímetros de altura, localizadas no abrigo rochoso de La Rochelle, próximo a Carolina, na província de Mpumalanga, África do Sul.

O estudo, publicado no South African Archaeological Bulletin por David Pearce, da Universidade de Witwatersrand, e Kiah Johnson, da Universidade de Cambridge, indica que as imagens foram criadas através da técnica de estarcido. Esse método consiste em projetar pigmento ao redor de um molde, resultando em uma marca em negativo na superfície da pedra.

Técnica e Identificação

Diferente de outras obras no abrigo de La Rochelle — que possui cerca de 30 metros de comprimento e apresenta figuras de antílopes e humanos feitas com pincéis ou dedos —, as duas silhuetas em questão aparecem como espaços de rocha limpos cercados por pigmento vermelho.

Para tornar visíveis as imagens, que estavam quase imperceptíveis e passaram despercebidas por décadas, os pesquisadores utilizaram o DStretch, uma ferramenta digital de realce de pigmentos. A análise revelou que a concentração da tinta é maior entre as duas figuras e diminui gradualmente nas extremidades, onde restam apenas pequenos salpicos. Esse padrão sugere que a tinta líquida foi soprada ou projetada sobre moldes posicionados contra a rocha.

Contexto e Lacunas

Embora a técnica de moldes seja conhecida em regiões da China, Europa e Austrália, esta é a primeira vez que tal procedimento é registrado na arte rupestre do sul da África. O sítio de La Rochelle já havia sido documentado por Anna Steyn em 1995 e revisado por Mdudusi Maseko em 2020, mas as figuras em negativo não haviam sido identificadas anteriormente.

Ainda existem incertezas sobre a execução e a origem das obras:

  • Material dos moldes: Os arqueólogos cogitam o uso de couro recortado, osso, madeira, argila ou cera de abelha, mas não há provas concretas sobre qual material foi empregado.
  • Cronologia: A falta de sobreposições com outras pinturas impede a definição de uma datação relativa.
  • Autoria e Significado: A identidade dos criadores e a finalidade das imagens, incluindo possíveis usos rituais, permanecem desconhecidas.

Os especialistas consideram que a exposição solar, a chuva e o vento podem ter apagado outras obras similares. A localização de novos exemplares será fundamental para entender se o achado em La Rochelle é um evento isolado ou o início de uma tradição artística anteriormente desconhecida na região.

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