Ciência

Árvores emitem flashes ultravioleta durante tempestades, revelando um fenômeno "coronas fantasmagóricas

03 de Março de 2026 às 07:08

Cientistas da Universidade Estadual da Pensilvania observaram um novo fenômeno natural em árvores durante tempestades. As "coronas fantasmagóricas" são flashes ultravioleta emitidos pelas árvores, que podem explicar anomalias elétricas detectadas há quase um século. A equipe liderada por Patrick McFarland registrou 41 descargas em apenas 90 minutos na Carolina do Norte

Árvores emitem flashes ultravioleta durante tempestades, revelando um fenômeno "coronas fantasmagóricas
William Brune

Um novo fenômeno natural foi observado por cientistas da Universidade Estadual da Pensilvania. Em uma publicação recente, a equipe liderada pelo meteorologista Patrick McFarland relatou que as árvores emitem flashes ultravioleta durante tempestades. Esse fenômeno é conhecido como "coronas fantasmagóricas" e pode explicar anomalias elétricas detectadas em florestas há quase um século.

A equipe adaptou uma furgoneta Toyota Sienna com equipamentos sensíveis à radiação ultravioleta para capturar as descargas elétricas fracas nas copas das árvores. Durante a campanha de observação na costa leste dos EUA no verão de 2024, os cientistas registraram 41 descargas em apenas 90 minutos sobre um líquido de ambar na Carolina do Norte.

Cada flash durou até três segundos e, em algumas ocasiões, saltou de folha em folha, acompanhando o movimento dos galhos. As observações foram repetidas em outras quatro tempestades entre a Flórida e a Pensilvânia, com resultados semelhantes.

O fenômeno se baseia no princípio físico da carga de uma tempestade induzindo uma carga oposta no solo. A energia busca o ponto mais elevado para se descarregar, e as árvores são um dos principais locais de descarga dessa energia elétrica.

As "coronas" podem queimar as pontas das folhas em segundos e afetar a cutícula protetora. Estudos anteriores já indicavam que a corrente elétrica pode danificar as membranas celulares e destruir os cloroplastos. O achado não é apenas visualmente sugestivo, mas também tem implicações importantes para o entendimento do impacto desses fenômenos na árvore e na floresta como um todo.

A equipe liderada por McFarland está agora trabalhando em estudos subsequentes para investigar mais a fundo os resultados dessa pesquisa. "É emocionante ter provas concretas desse fenômeno", disse o meteorologista, enfatizando que esse achado pode abrir novos caminhos de pesquisa e entender melhor as complexidades do ambiente natural.

Com informações de El Confidencial

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