Astronautas da missão Artemis 2 orbitam a Lua sem realizar pouso na superfície lunar
Quatro astronautas da missão Artemis 2 orbitaram a Lua e retornaram à Terra na nave Orion, sem pousar na superfície. O primeiro pouso lunar desde 1972 está programado para a missão Artemis 4, em 2028
Quatro astronautas da missão Artemis 2 completaram recentemente a trajetória de ida e volta à Lua, incluindo a observação do lado oculto do satélite, sem realizar o pouso na superfície. A ausência de descida é justificada pela arquitetura da missão, que foi projetada exclusivamente para a passagem e o retorno da nave Orion à Terra.
A nave Orion não possui a capacidade técnica de pousar, funcionando apenas como veículo de transporte até as proximidades lunares. Para a descida à superfície, é indispensável um módulo separado, similar à estrutura utilizada no programa Apolo, que dividia as funções entre os módulos de comando, de serviço e lunar. Atualmente, a SpaceX, com a Starship, e a Blue Origin, com o Blue Moon, desenvolvem esses veículos de pouso, mas nenhuma das opções está pronta para voos tripulados.
Essa progressão em etapas replica a metodologia de testes do programa Apolo. O Apolo 7 validou a cápsula em órbita terrestre e o Apolo 8 orbitou a Lua sem pousar, configuração análoga à da Artemis 2. Posteriormente, o Apolo 9 testou o módulo lunar na Terra e o Apolo 10 chegou a 15 quilômetros da superfície lunar antes que o Apolo 11 realizasse o primeiro pouso.
A necessidade de reconstruir a infraestrutura do zero ocorre porque, após o Apolo 17 em 1972, a NASA desativou estruturas e mudou seus focos. Projetos do foguete Saturno 5 tornaram-se obsoletos, fábricas foram fechadas e as equipes técnicas se aposentaram. Além disso, há disparidades orçamentárias e de segurança: enquanto a era Apolo consumia quase 5% do orçamento federal dos Estados Unidos, a agência opera hoje com menos de 0,5%, sob critérios de risco muito mais rigorosos.
O cronograma prevê que a Artemis 3, em 2027, realize testes de acoplamento entre a Orion e os módulos de pouso em órbita terrestre. O primeiro pouso lunar desde 1972 deve ocorrer na Artemis 4, programada para 2028. Quanto ao retorno da Artemis 2, a amerissagem no Oceano Pacífico estava prevista para 10 de abril, com o escudo térmico atingindo 1650°C durante a reentrada.
A natureza gradual da missão atual não anula as evidências dos pousos do programa Apolo. Entre as provas citadas estão os 382 kg de rochas e solo lunares, analisados por laboratórios globais, inclusive soviéticos, que confirmaram a origem extraterrestre devido à ausência de água e sinais de radiação cósmica. Outro dado concreto são os retrorrefletores a laser instalados na Lua, utilizados por cientistas de diversos países para medir a distância entre a Terra e o satélite, com uso previsto inclusive para 2026.
O reconhecimento do pouso americano também foi validado pela União Soviética durante a Guerra Fria, que monitorava as transmissões e teria interesse geopolítico em denunciar qualquer fraude. Adicionalmente, a sonda LRO, lançada em 2009, além de sondas da Índia e do Japão, registraram imagens de alta resolução dos locais de pouso, módulos e trilhas.
Sobre questionamentos comuns, a movimentação da bandeira lunar é explicada por um arame horizontal que a mantinha esticada no vácuo, movendo-se apenas ao ser manuseada. A ausência de estrelas nas fotografias deve-se ao ajuste de exposição das câmeras, configuradas para a superfície iluminada pelo Sol. O cientista do INPE, Antônio Prado, reforça a veracidade dos fatos ao questionar a viabilidade de manter uma mentira desse porte por décadas sem vazamentos entre centenas de milhares de profissionais envolvidos.