Astronautas enfrentam riscos desconhecidos em condições de microgravidade, alerta novo estudo
Um estudo publicado em "Acta Astronautica" analisou como a microgravidade afeta a coagulação do sangue feminino. Resultados mostram que o processo de coagulação demora mais para iniciar, mas acelera e produz coágulos mais resistentes na ausência de gravidade. Essas mudanças preocupam agências espaciais sobre riscos potenciais em missões longas no espaço
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A exploração do espaço humano está revelando novos desafios à saúde das astronautas. Um estudo recente, publicado na revista "Acta Astronautica", analisou como a microgravidade afeta a coagulação do sangue feminino e seus resultados são preocupantes para as agências espaciais.
A equipe de pesquisadores da Universidade de Simon Fraser colaborou com a Agência Espacial Europeia (ESA) em um estudo que contou também com o apoio da Agência Espacial Canadense. O objetivo era entender como o sangue feminino reage em condições semelhantes às do espaço, e para isso foram utilizadas 18 mulheres saudáveis que permaneceram durante cinco dias num sistema de imersão seca.
Os cientistas monitoraram o comportamento do sangue utilizando a "tromboelastometria rotacional" (ROTEM), um método capaz de medir em tempo real como inicia e evolui a coagulação. Os resultados revelaram que, na microgravidade, o processo de coagulação demora mais para iniciar, mas uma vez iniciado, acelera e produz coágulos mais resistentes e estáveis.
O professor Andrew Blaber explicou que essas mudanças não representam perigo durante os cinco dias do experimento, mas levantam dúvidas para missões mais longas. No espaço, os coágulos podem se formar na veia jugular devido ao deslocamento do sangue para a cabeça, o que poderia causar complicações graves.
A preocupação com esses resultados é intensificada pela experiência de uma astronauta da Estação Espacial Internacional (ISS) em 2020, quando desenvolveu um coágulo inesperado na veia jugular. Desde então, as agências espaciais reforçaram os controles médicos e agora os tripulantes realizam ultrassonografias periódicas da veia jugular durante as missões para detectar qualquer anomalia.
Esses resultados são um alerta importante sobre a necessidade de mais pesquisas na área. A saúde das astronautas é fundamental para o sucesso das missões espaciais e esses estudos podem ajudar a entender melhor como lidar com os desafios da microgravidade no futuro.