Ciência

Astronautas retornam à órbita lunar após 53 anos com a missão Artemis II

11 de Abril de 2026 às 22:22

Com aporte de US$ 93 bilhões, a NASA reiniciou as atividades lunares enviando quatro astronautas à órbita do satélite na missão Artemis II. A agência busca a permanência humana na Lua, com a Artemis III prevendo o pouso de Christina Koch no polo sul

A exploração humana da Lua retoma seu curso após mais de cinco décadas de interrupção. A missão Artemis II marcou esse retorno ao trazer quatro astronautas da órbita lunar, representando a primeira vez em 53 anos que seres humanos estiveram próximos ao satélite. O objetivo atual da NASA, que já investiu US$ 93 bilhões no programa Artemis, é estabelecer uma presença permanente na Lua, conforme indicado pelo administrador Bill Nelson. O próximo passo será a missão Artemis III, com foco no polo sul lunar, onde Christina Koch poderá se tornar a primeira mulher a caminhar na superfície.

Esse novo ciclo sucede um hiato iniciado em dezembro de 1972, quando Eugene Cernan deixou a superfície lunar na Apollo 17. O encerramento do programa Apollo foi motivado por questões financeiras e políticas: o orçamento da NASA, que atingia 4% dos gastos federais dos Estados Unidos, caiu para 0,5%. Esse declínio ocorreu enquanto o país enfrentava a Guerra do Vietnã e crises econômicas internas, somado à perda de intensidade da Guerra Fria, que reduziu a motivação política para a corrida espacial. O custo total do programa Apollo foi de US$ 25,4 bilhões na época, o que equivale a US$ 280 bilhões em valores atuais, resultando na criação de 400 mil empregos e avanços nas áreas de medicina, materiais e computação.

Entre 1968 e 1972, o programa Apollo realizou 11 voos tripulados, dos quais seis conseguiram pousar na Lua. Em cada missão, dois astronautas desciam à superfície enquanto um permanecia em órbita. O ciclo começou em 20 de julho de 1969, com Neil Armstrong e Buzz Aldrin (Apollo 11), que coletaram 21,5 kg de rochas em 21 horas e 30 minutos. A Apollo 12 demonstrou alta precisão ao pousar a 163 metros do alvo, e a Apollo 14 ficou registrada pelo jogo de golfe de Alan Shepard. A Apollo 15 introduziu o Rover, que percorreu 27 km, enquanto a Apollo 17 estabeleceu recordes com 75 horas de permanência, 22 horas de caminhadas e 115 kg de amostras coletadas. Já a Apollo 13 foi classificada como um fracasso bem-sucedido, pois, apesar de uma explosão no tanque de oxigênio ter abortado o pouso, os três tripulantes retornaram vivos.

Ao todo, 12 pessoas pisaram na Lua: Neil Armstrong, Buzz Aldrin, Pete Conrad, Alan Bean, Alan Shepard, Edgar Mitchell, David Scott, James Irwin, John Young, Charles Duke, Eugene Cernan e Harrison Schmitt. A maioria era composta por pilotos de teste com experiência militar, sendo Schmitt o único cientista a caminhar no solo lunar.

A evolução tecnológica entre as eras é drástica. O computador de bordo da Apollo 11 possuía menor capacidade de processamento do que as calculadoras modernas. Já a cápsula Orion, do programa Artemis, foi projetada para suportar temperaturas que derretem aço e reentrar na atmosfera terrestre a mais de 30 mil km/h.

Atualmente, a corrida espacial expandiu-se para além da disputa entre EUA e URSS. A Índia pousou a sonda Chandrayaan-3 em 2023 e a China planeja enviar missões tripuladas para 2030.

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