Astrônoma Duília utilizará dados do Telescópio James Webb para analisar a composição química de galáxias
A astrônoma Duília, formada em instituições públicas brasileiras, investiga a evolução do cosmos e a composição química de galáxias. A pesquisadora identificou a supernova 1997D e agora utiliza dados do Telescópio Espacial James Webb no ITA
A trajetória da astrônoma Duília é marcada pela investigação da evolução do cosmos, com foco em como as galáxias surgem, interagem e distribuem elementos químicos pelo espaço. Essa linha de pesquisa busca compreender a origem dos componentes que, bilhões de anos depois, possibilitaram a formação de planetas como a Terra.
Descobertas e contribuições científicas
Durante sua carreira, a pesquisadora participou de achados significativos para a astronomia. Em 1997, enquanto realizava observações no Chile, identificou a supernova 1997D, fenômeno resultante da explosão de uma estrela. Posteriormente, integrou a equipe que descobriu as "bolhas azuis", que são agrupamentos de estrelas jovens localizados fora de galáxias, em áreas onde a formação estelar não era prevista.
Outro ponto relevante de seus estudos foi a análise da NGC 6872, conhecida como Galáxia do Condor. As medições realizadas indicaram que essa galáxia espiral possui uma extensão aproximadamente cinco vezes maior que a da Via Láctea.
Formação acadêmica e base institucional
A base profissional de Duília foi construída integralmente em instituições públicas brasileiras. Ela graduou-se em Astronomia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), obteve mestrado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP).
O suporte financeiro via bolsas de estudo foi fundamental para a viabilização de sua carreira, desde a iniciação científica — que permitiu o aprendizado de inglês — até as etapas de pós-graduação e pós-doutorado.
Perspectivas e novos projetos
Após um período dedicado a funções de gestão acadêmica nos Estados Unidos, a astrônoma retorna à pesquisa integral no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com suporte da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
O próximo passo de suas investigações envolve a utilização de dados do Telescópio Espacial James Webb. O objetivo é analisar galáxias formadas em períodos iniciais do Universo para entender as transformações em sua composição química ao longo de bilhões de anos.
Enigmas do Universo
Apesar da evolução tecnológica proporcionada por observatórios como o Hubble e o James Webb, a ciência ainda enfrenta lacunas fundamentais. Duília destaca a matéria escura e a energia escura como mistérios centrais, já que, embora seus efeitos sejam observáveis, a natureza de sua composição permanece desconhecida.
No campo da astrobiologia, a pesquisadora pontua que, embora a ciência esteja próxima de localizar planetas com condições compatíveis com a vida, tal descoberta difere da identificação de organismos vivos ou do estabelecimento de contato com seres extraterrestres.