Astrônomos confirmam a existência do exoplaneta mais jovem já registrado na história da astronomia
Astrônomos confirmaram a existência do Elias 2-24 b, o exoplaneta mais jovem já registrado, com menos de 1 milhão de anos. Localizado a 450 anos-luz da Terra, o corpo celeste possui massa similar à de Júpiter. A descoberta foi detalhada na revista *The Astrophysical Journal Letters
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/4/y/8ovZmxTVadZqpBQ08z1g/sgqseszan5hnekrkzttlj9-970-80.jpg.webp)
Astrônomos confirmaram a existência do exoplaneta mais jovem já registrado, denominado Elias 2-24 b. Com menos de 1 milhão de anos, o corpo celeste possui massa comparável à de Júpiter e está localizado a aproximadamente 450 anos-luz da Terra, permanecendo imerso no disco de gás e poeira que circunda sua estrela hospedeira, a Elias 2-24.
A descoberta, detalhada em estudo publicado na quarta-feira (16) na revista The Astrophysical Journal Letters, supera o recorde anterior de idade para mundos extrassolares. Até então, os planetas mais jovens conhecidos possuíam mais de 5 milhões de anos, como ocorre com os quatro exemplares encontrados nas órbitas das estrelas PDS 70 e WISPIT 2.
Desafio aos modelos de formação planetária
A precocidade do Elias 2-24 b questiona as teorias vigentes sobre a criação de planetas. Os modelos atuais estimam que um mundo com as dimensões de Júpiter levaria cerca de 5 milhões de anos para se consolidar em uma distância similar à do planeta gasoso em relação ao Sol. No caso do novo achado, o processo ocorreu em uma órbita 55 vezes mais distante da estrela do que a Terra está do Sol.
Lucas Cieza, professor do Instituto de Estudos Astrofísicos do Chile e coautor do trabalho, pontuou que a existência desse planeta indica que os modelos científicos atuais ignoram processos fundamentais de formação, já que as teorias anteriores já apresentavam dificuldades para explicar os recordistas anteriores.
Metodologia de detecção e confirmação
A identificação do planeta resolveu um enigma de dez anos. Inicialmente, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile, detectou uma lacuna no disco de material da estrela. Posteriormente, o Very Large Telescope (VLT), também no Chile, registrou um ponto luminoso tênue na mesma região.
Para validar a hipótese de um planeta em formação, a equipe liderada por Andrea Bernardi, da Universidade Diego Portales, analisou dados de arquivo de sete estrelas do Observatório W. M. Keck, no Havaí. A pesquisa utilizou um coronógrafo, dispositivo que bloqueia a luz da estrela para revelar objetos orbitais mais fracos.
Ao comparar registros de 2018 e 2020, os cientistas confirmaram que o ponto luminoso se movia como um planeta, e não como uma estrela distante ou erro de imagem. Bernardi explicou que a localização do Elias 2-24 b ocorreu precisamente dentro da lacuna do disco, pois são os próprios planetas que esculpem esses espaços ao crescerem.
Impacto para a astronomia
A maioria dos cerca de 6 mil exoplanetas confirmados foi detectada pelo método de trânsito, que monitora a queda de brilho da estrela. Contudo, essa técnica é ineficaz para mundos envoltos em poeira ou em órbitas muito afastadas, resultando em um catálogo composto majoritariamente por planetas antigos e próximos de seus sóis.
A detecção de mundos como o Elias 2-24 b permite:
- Preencher a lacuna de observação entre a teoria e a detecção direta;
- Investigar os estágios iniciais da formação de sistemas planetários;
- Compreender a evolução do Sistema Solar há bilhões de anos.
A confirmação foi possível graças à integração de dados de diferentes telescópios ao longo dos anos. Para futuras descobertas, a expectativa recai sobre o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA, que contará com um coronógrafo aprimorado para detectar planetas em órbitas menores e com características semelhantes às de Júpiter.