Astrônomos descobrem anéis de gás inéditos ao redor de uma anã branca no Chile
Astrônomos detectaram dois anéis de gás distintos ao redor da anã branca J1328−1450 via Very Large Telescope. A estrutura, com diferentes concentrações de magnésio, sugere a presença de dois corpos planetários invisíveis. O estudo foi publicado na revista *Nature Astronomy
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Astrônomos identificaram uma configuração inédita de matéria ao redor da anã branca J1328−1450, consistindo em dois anéis de gás distintos e separados por um espaço vazio. A descoberta, detalhada na revista Nature Astronomy, foi possível graças a observações realizadas pelo Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), localizado no Chile.
O achado diverge do padrão comum observado em estrelas mortas, onde os restos de corpos celestes costumam formar um único disco contínuo de poeira e gás. No caso da J1328−1450, a separação nítida entre as duas estruturas sugere a presença de dois corpos planetários que, embora não tenham sido detectados visualmente, estariam orbitando a estrela e mantendo a organização dos anéis.
Composição e hipóteses orbitais
A análise do comportamento do gás permitiu que os pesquisadores estimassem a natureza desses objetos invisíveis. O corpo situado na órbita mais interna teria dimensões semelhantes às de um asteroide, enquanto o objeto mais distante poderia ter o tamanho da Lua, de Plutão ou de Ceres, a depender de sua distância e composição.
A diferença química entre os anéis reforça a tese de que a matéria provém de fontes distintas:
- Anel interno: Apresenta alta concentração de magnésio.
- Anel externo: Possui baixos níveis desse elemento.
Além do magnésio, foram detectados ferro, oxigênio e cálcio, elementos típicos de materiais rochosos da região interna do Sistema Solar. Essa disparidade sugere que os anéis podem ter sido formados por dois corpos planetários diferentes ou por camadas distintas (internas e externas) de um único objeto rochoso fragmentado.
Implicações para o futuro do Sol
A estrutura da J1328−1450 serve como um modelo para o estágio final de estrelas com características semelhantes ao Sol. Em bilhões de anos, o Sol esgotará seu combustível, expandirá seu volume e perderá as camadas externas, transformando-se em uma anã branca — um núcleo extremamente denso.
Nesse processo, planetas próximos são destruídos, enquanto outros podem sobreviver, mas acabar fragmentados por colisões e interações gravitacionais, espalhando detritos ao redor do remanescente estelar.
A descoberta revela que a desintegração de um sistema planetário é mais complexa do que se supunha. A organização da matéria em anéis na J1328−1450 assemelha-se a discos encontrados em estrelas jovens durante a formação de planetas, indicando que processos similares de organização de matéria ocorrem tanto no nascimento quanto na morte de sistemas estelares.