Astrônomos descobrem que buracos negros podem expelir parte da matéria que atraem no espaço
Astrônomos da Universidade de Warwick identificaram que o buraco negro do sistema Swift J1727.8−1613 expulsa parte da matéria atraída. O estudo, publicado na revista MNRAS, utilizou o Very Large Telescope para observar a emissão de jatos e ventos de gás. A pesquisa indica que a eficiência de absorção desses objetos é menor do que se acreditava
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Astrônomos da Universidade de Warwick, na Inglaterra, identificaram evidências de que buracos negros podem expelir parte da matéria que atraem, contrariando a percepção comum de que esses objetos consomem tudo ao seu redor. O estudo, publicado em 29 de julho na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society (MNRAS), analisou o sistema Swift J1727.8−1613 durante uma explosão ocorrida em 2023.
Para a coleta de dados, a equipe utilizou o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul. O sistema observado é composto por um buraco negro e uma estrela adjacente, onde a força gravitacional do primeiro atrai gás da estrela companheira, criando um disco de matéria superaquecida em rotação.
Dinâmica de absorção e expulsão de matéria
Durante o evento de explosão, o sistema tornou-se uma das fontes de raios X mais brilhantes do céu, permitindo que os pesquisadores monitorassem o processo em tempo real. As observações revelaram que o objeto não se limitava a acumular gás; parte do material era devolvida ao espaço através de ventos e jatos.
O registro óptico detalhado permitiu acompanhar a evolução do sistema cronologicamente, evidenciando que a matéria é processada e, em volume surpreendente, expelida novamente. Foi notada, inclusive, uma relação direta entre as alterações no disco de matéria que alimenta o objeto e a emissão de jatos poderosos.
Eficiência alimentar e impacto galáctico
Um ponto central da descoberta ocorreu durante a fase de declínio da atividade do Swift J1727.8−1613. Mesmo quando a emissão de raios X recuou para aproximadamente um centésimo do seu nível máximo, o sistema continuou a expelir gás denso.
Essa persistência sugere que:
- Buracos negros mantêm fluxos de matéria potentes mesmo após o pico de atividade.
- A quantidade de material lançada ao espaço pode ser equivalente à quantidade consumida.
- A eficiência desses objetos em "devorar" matéria é menor do que se acreditava, já que parte do gás é expulsa antes de atingir o ponto de não retorno gravitacional.
De acordo com Noel Castro Segura, autor principal do estudo, essa dinâmica altera a compreensão científica sobre a evolução de sistemas binários de estrelas nas galáxias. Complementarmente, Kyle Solomons, pesquisador da Universidade da Cidade do Cabo, destacou que as etapas finais de uma explosão de buraco negro possuem a mesma importância e intensidade que os momentos iniciais.
O acompanhamento do ciclo completo da explosão demonstrou que esses objetos operam como sistemas dinâmicos, capazes de atrair, processar e redistribuir matéria pelo cosmos, em vez de funcionarem apenas como poços sem fundo.