Ciência

Astrônomos detectam buraco negro errante afastado do centro de sua galáxia pela primeira vez

09 de Agosto de 2026 às 12:01

Astrônomos detectaram um buraco negro errante a 30 mil anos-luz do centro de sua galáxia através do sistema Zwicky Transient Facility. A identificação ocorreu via machine learning após o objeto consumir uma estrela, gerando um clarão intenso. O corpo celeste possui massa similar à do buraco negro central da Via Láctea

Astrônomos detectam buraco negro errante afastado do centro de sua galáxia pela primeira vez
NASA

Astrônomos identificaram um buraco negro errante localizado a aproximadamente 30 mil anos-luz de distância do centro de sua galáxia. O achado, detalhado em estudo publicado no dia 27 de julho pela revista The Astrophysical Journal Letters, marca a primeira vez que um objeto desse tipo é detectado em uma região tão afastada do núcleo galáctico.

A detecção foi possível apenas devido a um evento fortuito: a aproximação de uma estrela, que foi consumida pela gravidade extrema do corpo celeste. Esse processo de absorção de matéria gerou um clarão intenso, tornando visível um objeto que, de outra forma, permaneceria indetectável.

Tecnologia e Inteligência Artificial na detecção

A identificação do fenômeno ocorreu por meio do Zwicky Transient Facility (ZTF), sistema que monitora o céu do hemisfério norte. Devido ao volume massivo de dados registrados a cada duas noites, a análise manual tornou-se inviável, levando a equipe de pesquisadores a desenvolver um programa de machine learning.

Treinado para reconhecer o padrão de brilho emitido quando um buraco negro destrói uma estrela, o sistema de IA entrou em operação em agosto de 2025. Em três meses de atividade, a ferramenta localizou o evento que revelou a existência do corpo celeste.

Características e anomalias do objeto

O objeto recém-descoberto possui massa comparável à do buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea. No entanto, ele apresenta uma característica intrigante: a ausência de sinais de uma galáxia ao seu redor, sugerindo que o corpo celeste esteja isolado no espaço.

Para explicar esse cenário, cientistas da Universidade de Maryland trabalham com duas hipóteses principais:

  • Fusão galáctica: Uma galáxia maior teria absorvido uma menor, deslocando o buraco negro para a periferia durante o processo.
  • Interação gravitacional: A interação entre três buracos negros durante a fusão de galáxias pode ter gerado uma força capaz de arremessar um dos corpos para fora do centro galáctico.

Impacto para a Astronomia

A descoberta altera a premissa de que buracos negros supermassivos residem exclusivamente nos centros de galáxias massivas. O fato evidencia que a maioria desses corpos pode estar em estado quiescente — sem consumir gás, poeira ou estrelas —, o que impede a emissão de luz e dificulta a localização.

A pesquisa indica que os buracos negros ativos representam apenas uma pequena parcela do total existente, sendo a maioria deles dormentes, inclusive o que ocupa o coração da Via Láctea. Apesar da existência de objetos errantes, a probabilidade de encontro com um deles na nossa própria galáxia é considerada baixíssima.

O próximo passo da investigação envolve a utilização do observatório Vera C. Rubin, no Chile. A expectativa é que a combinação do novo telescópio com sistemas de IA permita a identificação de centenas de buracos negros errantes anualmente, fornecendo dados sobre como as galáxias colidem e evoluem na história do Universo.

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