Ciência

Astrônomos detectam emissão de radiação extremamente intensa originada pela colisão entre duas galáxias

20 de Agosto de 2026 às 15:09

O observatório MeerKAT detectou um gigamáser de hidroxil a 8 bilhões de anos-luz da Terra, no sistema HATLAS J142935.3–002836. A radiação de micro-ondas foi gerada pela colisão entre duas galáxias e amplificada por uma lente gravitacional

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Astrônomos detectam emissão de radiação extremamente intensa originada pela colisão entre duas galáxias
ALMA/NASA/ESA/Observatorio WM Keck

Uma emissão de radiação extremamente intensa, comparável a um laser cósmico, foi detectada a aproximadamente 8 bilhões de anos-luz da Terra. O fenômeno, identificado no sistema de galáxias em colisão HATLAS J142935.3–002836, representa um dos eventos energéticos mais potentes já registrados no universo profundo, conforme detalhado em estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.

A natureza do fenômeno

A descoberta foi possível graças ao observatório MeerKAT, na África do Sul, que utiliza uma rede de 64 radiotelescópios. Os pesquisadores classificaram a emissão como um megamáser de hidroxil. Diferente dos lasers artificiais que operam com luz visível, esses sistemas naturais liberam microondas intensas, originadas por moléculas de hidroxil situadas em vastas nuvens de gás interestelar.

A potência do sinal é tão elevada que a equipe científica sugere que o objeto possa ultrapassar a categoria de megamáser, enquadrando-se como um gigamáser. Esta classificação teórica descreve fontes capazes de emitir radiação milhares de vezes mais brilhante do que os megamáseres convencionais.

Origem e amplificação

O mecanismo que gera essa energia é a colisão entre duas galáxias. O impacto violento comprime nuvens massivas de gás, excitando moléculas que liberam radiação em cascata, o que amplifica a emissão de microondas e cria o efeito de laser em escala cósmica.

Para que o sinal fosse detectado a tal distância, foi necessária a ocorrência de um fenômeno físico previsto por Albert Einstein: a lente gravitacional. Esse efeito acontece quando a gravidade de uma galáxia intermediária curva o espaço-tempo, funcionando como um "telescópio natural" que amplifica a radiação antes que ela chegue aos receptores na Terra.

Impacto para a astronomia

O astrônomo Thato Manamela, da Universidade de Pretoria, pontuou que a detecção evidencia a precisão dos radiotelescópios modernos em captar eventos em distâncias extremas. A observação deste sistema abre caminho para a localização de milhares de outros megamáseres ocultos, fornecendo dados concretos sobre a evolução das galáxias e a dinâmica de suas colisões ao longo da história do universo.

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