Ciência

Astrônomos detectam o menor exoplaneta de lava com atmosfera própria a 154 anos-luz da Terra

01 de Outubro de 2026 às 06:00 3 min de leitura

Astrônomos detectaram o HD 3167 b, o menor exoplaneta de lava com atmosfera já identificado, situado a 154 anos-luz de distância. O estudo, publicado na The Astrophysical Journal Letters, utilizou dados do Telescópio Espacial James Webb para analisar a temperatura e a rotação do corpo celeste

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Astrônomos detectam o menor exoplaneta de lava com atmosfera própria a 154 anos-luz da Terra
NASA

Astrônomos identificaram o HD 3167 b, o menor exoplaneta de lava já detectado que consegue manter a sua própria atmosfera. Localizado a 154 anos-luz de distância, o corpo celeste apresenta características singulares que desafiam a compreensão atual sobre a preservação de camadas gasosas em mundos rochosos próximos a suas estrelas. O estudo foi publicado em 9 de julho na revista científica The Astrophysical Journal Letters.

O paradoxo térmico do HD 3167 b

Embora pertença à categoria de mundos de lava — caracterizados por temperaturas extremas que derretem a superfície —, o HD 3167 b é o representante mais frio desse grupo já encontrado. A descoberta revela uma dualidade térmica: enquanto mantém a natureza de um planeta de lava, sua temperatura interna é significativamente menor do que a de outros corpos similares.

A existência de uma atmosfera nesse cenário é considerada incomum. Edwin Kite, da Universidade de Chicago, observa que a proximidade de um planeta rochoso com sua estrela geralmente dificulta a manutenção de gases, devido ao bombardeio constante de fótons de alta energia e ventos estelares.

Mecanismo de resfriamento e rotação

A análise foi possível graças ao instrumento de luz infravermelha do Telescópio Espacial James Webb, que comprovou a presença da atmosfera e permitiu a estimativa da temperatura da superfície. Os dados indicam que a camada de ar atua como um regulador térmico, refletindo a luz da estrela e redirecionando o calor do lado diurno para o lado noturno.

Esse fenômeno é potencializado pela rotação sincronizada, característica comum em orbes rochosos de lava, na qual o planeta mantém sempre a mesma face voltada para a estrela. Brandon Park Coy, também da Universidade de Chicago, ressalta que, sem a proteção da atmosfera, o lado iluminado do HD 3167 b atingiria as temperaturas máximas teoricamente possíveis.

Implicações para a história da Terra

Apesar de a temperatura tornar a habitabilidade impossível, o estudo de exoplanetas de lava oferece pistas sobre a evolução de mundos rochosos. A hipótese central é que a Terra primitiva tenha passado por condições semelhantes.

No início do Sistema Solar, as colisões de planetesimais teriam gerado um calor extremo, levando a Terra a um estágio de oceano de magma, com a superfície totalmente líquida. Assim, a observação de mundos como o HD 3167 b funciona como uma janela para compreender as condições climáticas e geológicas dos primeiros milhões de anos do nosso planeta.

Atualmente, a detecção de cerca de 6.300 exoplanetas desde as primeiras descobertas há três décadas sugere que todos os mundos de lava possuem atmosferas. O foco das pesquisas agora se volta para entender o processo de formação dessas camadas e a relação exata entre a composição gasosa e a temperatura da superfície rochosa.

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