Ciência

Astrônomos detectam sinais de rádio e medem campo magnético de exoplaneta Beta Pictoris b

22 de Setembro de 2026 às 12:19 2 min de leitura

Astrônomos detectaram sinais de rádio aurorais no exoplaneta Beta Pictoris b, localizado a 63,4 anos-luz da Terra, utilizando o radiotelescópio MeerKAT. A medição revelou um campo magnético milhares de vezes superior ao terrestre. A técnica reduz a dependência de luz visível ou infravermelha para a análise de mundos distantes

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Astrônomos detectam sinais de rádio e medem campo magnético de exoplaneta Beta Pictoris b
EFE/Csiro

Astrônomos do Center for Astrophysics Harvard & Smithsonian e da Universidade de Oregon detectaram sinais de rádio provenientes de Beta Pictoris b, um exoplaneta situado a aproximadamente 63,4 anos-luz da Terra. A descoberta, detalhada em artigo no arXiv, estabelece um novo método para a análise de mundos distantes, reduzindo a dependência de emissões de luz visível ou infravermelha.

Metodologia de detecção e observação

Para a coleta de dados, a equipe utilizou o radiotelescópio MeerKAT, localizado na África do Sul, em quatro sessões realizadas entre 2025 e 2026. Os instrumentos registraram emissões em frequências entre 0,85 e 3,5 GHz, caracterizadas por pulsos curtos e recorrentes, além de uma emissão persistente com intensa polarização circular.

A precisão da localização foi alcançada através do uso de quasares (núcleos galácticos brilhantes) como pontos de referência. Essa técnica permitiu que os cientistas isolassem a origem dos sinais no exoplaneta, diferenciando-os das emissões da estrela anfitriã, um desafio técnico comum em observações de sistemas extrasolares.

Campo magnético e atividade auroral

As emissões identificadas são compatíveis com a instabilidade de Maser de Ciclotron Elétrico (ECMI), mecanismo ligado à interação entre campos magnéticos e partículas carregadas, similar ao que gera as auroras na Terra e em Júpiter. Esta é a primeira vez que sinais de rádio aurorais são localizados de forma inequívoca em um planeta fora do sistema solar.

A análise dessas ondas possibilitou a primeira medição direta da intensidade do campo magnético de um exoplaneta. Os dados revelam que Beta Pictoris b possui um campo magnético milhares de vezes mais forte que o da Terra, resultado condizente com modelos teóricos para gigantes gasosos jovens e massivos.

Características de Beta Pictoris b

Identificado em 2008, o planeta possui cerca de 10 vezes a massa de Júpiter. A intensa atividade auroral observada pode estar relacionada à sua alta velocidade de rotação, já que o corpo celeste completa um giro sobre o próprio eixo a cada oito ou nove horas.

Perspectivas para futuras pesquisas

Com a validação desta técnica, os pesquisadores já mapearam outros sete exoplanetas gigantes em cinco sistemas estelares próximos como alvos potenciais. A viabilidade de novas detecões depende do avanço tecnológico, estimando-se que seja necessário um aumento de cinco a sete vezes na sensibilidade dos radiotelescópios para observar esses mundos.

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