Astrônomos identificam a primeira estrela verde da história em estudo sobre anãs brancas
Astrônomos identificaram a primeira estrela verde, a WD J1330+6435, localizada a 284 anos-luz da Terra. O astro, uma anã branca com temperatura de 4 mil graus Celsius, possui coloração resultante da presença de sódio e cálcio em sua superfície. O estudo foi publicado na revista *RAS Techniques and Instruments
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Astrônomos identificaram a primeira estrela verde da história, a WD J1330+6435, desafiando a crença anterior de que os remanescentes estelares conhecidos como anãs brancas possuíam apenas a coloração branca. Localizado a aproximadamente 284 anos-luz da Terra, o astro apresenta uma temperatura de cerca de 4 mil graus Celsius e possui uma superfície rica em sódio e cálcio. O estudo, publicado na revista científica RAS Techniques and Instruments, revela que a composição química desses núcleos estelares pode gerar cores variadas, independentemente da temperatura.
A influência da densidade e composição química
Diferente das estrelas convencionais, onde a cor é determinada primordialmente pela temperatura — com astros mais frios tendendo ao alaranjado, medianos ao branco e os mais quentes ao azul —, as anãs brancas possuem uma densidade extremamente elevada. Em exemplares mais frios, a densidade atmosférica chega a 1 grama por centímetro cúbico, valor equivalente ao da água e milhões de vezes superior ao da fotosfera do Sol.
Essa característica permite que elementos químicos abundantes, como carbono, sódio e cálcio, interajam com o hélio circundante. Essa interação absorve a luz e a reflete em um espectro mais amplo do que o tradicional. No caso da WD J1330+6435, a presença de sódio na atmosfera absorve a parte laranja do espectro, resultando no brilho verde. A coloração foi possível graças ao acúmulo de material rochoso proveniente de seu sistema planetário, que enriqueceu a estrela com lítio, sódio e cálcio.
Metodologia de identificação cromática
Como o brilho dessas estrelas não é visível da Terra mesmo com telescópios avançados, os pesquisadores utilizaram cálculos para analisar o espectro luminoso — uma espécie de impressão digital gerada quando a luz é dividida por comprimento de onda. Esses dados foram processados em modelos computacionais que traduziram as ondas eletromagnéticas em cores visíveis ao olho humano.
A aplicação desse método em diversas anãs brancas permitiu categorizar as cores de acordo com a composição atmosférica:
- Rosa ou roxo: estrelas ricas em carbono.
- Amarelado: astros com detritos de cometas e asteroides de antigos sistemas planetários.
- Ciano ou azul-claro: estrelas mais frias com mistura de hélio e hidrogênio.
Outras anomalias estelares
Além da estrela verde, a pesquisa destacou a WD J1011+2845, situada a cerca de 48 anos-luz da Terra, que pode ser a anã branca mais vermelha já registrada. O astro apresenta uma zona de convecção profunda que transportou carbono do núcleo para a superfície. As moléculas de carbono distorcem a luz, criando um comprimento de onda que reflete uma tonalidade rosa-salmão intensa.
Embora visualmente impactantes, essas variações cromáticas não são a regra no cosmos. De acordo com os astrônomos da Universidade de Warwick, Boris Gänsicke e Mark Hollands, aproximadamente uma em cada 30 estrelas apresenta espectros diferentes do branco. Apesar de ser uma fração pequena, o número total de estrelas com cores incomuns permanece expressivo diante da vasta população de anãs brancas no universo.