Ciência

Astrônomos identificam possível exoplaneta na zona habitável de estrela visível a olho nu

02 de Outubro de 2026 às 06:10 3 min de leitura

Astrônomos identificaram o possível exoplaneta HD 156295 b, com seis vezes a massa de Júpiter, orbitando uma estrela a 140 anos-luz de distância. O candidato a gigante gasoso está na zona habitável e foi detectado via telescópio TESS através da medição de pulsos luminosos. A confirmação do objeto possui 50% de probabilidade

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Astrônomos identificam possível exoplaneta na zona habitável de estrela visível a olho nu
EFE/Rodrigo Sáez

Astrônomos identificaram um possível exoplaneta orbitando a estrela HD 156295, um corpo celeste visível a olho nu e localizado a aproximadamente 140 anos-luz de distância. O achado, detalhado em estudo publicado no Astrophysical Journal, surgiu após a análise de milhares de estrelas variáveis capturadas pelo telescópio espacial TESS.

O candidato a planeta, denominado HD 156295 b, apresenta características físicas e orbitais distintas. Os cálculos indicam que o objeto possui cerca de seis vezes a massa de Júpiter e orbita sua estrela a quase quatro unidades astronômicas. Com um período orbital de aproximadamente 2.200 dias — cerca de seis anos terrestres —, o corpo receberia 60% da radiação que a Terra recebe do Sol, o que o posiciona dentro da zona habitável do sistema, considerando a energia emitida pela estrela.

A técnica de detecção por pulsos

A descoberta foi possível graças à natureza da HD 156295, uma estrela do grupo Delta Scuti. Esses corpos são caracterizados por pulsos regulares de luminosidade, funcionando como relógios astronômicos. A equipe de pesquisa utilizou a técnica de "medição de pulsos", que consiste em monitorar pequenas variações no tempo de chegada da luz à Terra. Qualquer deslocamento nesses intervalos pode indicar a influência gravitacional de um corpo invisível.

Para chegar ao resultado, os cientistas examinaram 16.500 estrelas Delta Scuti observadas pelo TESS. A triagem reduziu a amostra para nove sistemas com sinais de companheiros; oito deles apresentavam características de anãs marrons — objetos mais massivos que planetas, porém sem fusão de hidrogênio —, enquanto o sistema HD 156295 se destacou como um candidato planetário.

Desafios e confirmação científica

Apesar dos indícios, a detecção de HD 156295 b permanece como uma hipótese. O sinal captado está próximo ao limite de detecção dos dados do TESS, e os pesquisadores estimam que há 50% de probabilidade de o objeto ser, de fato, um planeta. A confirmação é considerada crucial, pois existem poucos exoplanetas catalogados ao redor de estrelas do tipo A.

A estrela em questão é significativamente diferente do Sol: possui uma temperatura próxima a 7.500 graus Celsius, é nove vezes mais brilhante e tem cerca de 700 milhões de anos, idade considerada curta em escala astronômica. Devido à sua massa elevada, espera-se que o candidato seja um gigante gasoso, e não um mundo rochoso.

A validação do sistema poderá ocorrer com a ajuda do observatório PLATO, da Agência Espacial Europeia, que terá a capacidade de analisar mais de 200.000 estrelas com maior precisão. A confirmação do planeta permitiria compreender melhor a formação e a sobrevivência de mundos gigantes em torno de estrelas muito mais quentes que a nossa.

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