Ciência

Astrônomos identificam primeiro asteroide com estrutura trilobada no sistema solar

11 de Agosto de 2026 às 18:09

Observações astronômicas identificaram que o asteroide (44) Nysa, de 75 km de diâmetro, possui uma estrutura trilobada e composição rica em enstatita. O estudo detectou também a existência de um satélite natural de 1 km de extensão orbitando o corpo. A pesquisa utilizou os telescópios Large Binocular e Very Large para a análise

Astrônomos identificam primeiro asteroide com estrutura trilobada no sistema solar
44

Novas observações astronômicas revelaram a geometria incomum do asteroide (44) Nysa, um dos corpos mais brilhantes localizados no cinturão entre Marte e Júpiter. O estudo, intitulado "Desvendando o Asteroide (44) Nysa: Evidências para uma Estrutura Trilobada", indica que o objeto pode ser o primeiro asteroide trilobado identificado no sistema solar, apresentando uma configuração de três seções conectadas por gargantas estreitas.

Estrutura e composição do asteroide

Com aproximadamente 75 km de diâmetro, o (44) Nysa possui duas grandes depressões em sua superfície. De acordo com a análise liderada por Kate Minker, do Observatório Lowell, essa morfologia sugere que o corpo seja um sistema triplo de contato ou um objeto coerente com irregularidades extremas.

A composição do asteroide é rica em enstatita, um mineral sem ferro típico das regiões internas do sistema solar. Essa característica torna o corpo fundamental para a compreensão da formação dos planetas rochosos ocorrida há cerca de 4,5 bilhões de anos. A estrutura atual do Nysa pode ter sido moldada por encontros violentos com corpos maiores ou pelo reagrupamento lento de fragmentos após colisões antigas.

Tecnologia e a descoberta da lua

Embora tenha sido descoberto em 1857 e observado inclusive pelo telescópio espacial Hubble, a silhueta real do Nysa permaneceu incerta devido à sua alta refletividade. A precisão atual foi alcançada através do uso do Large Binocular Telescope (Arizona) e do Very Large Telescope (Chile), utilizando os instrumentos SHARK-VIS e SPHERE/ZIMPOL, além de sistemas de óptica adaptativa para mitigar a distorção atmosférica.

O processamento de imagens e observações fotométricas permitiu a detecção de um satélite natural, designado provisoriamente como S/2026 (44) 1. A pequena lua, com cerca de 1 quilômetro de extensão, orbita a uma distância mínima de 170 km do asteroide. Para localizar o satélite, a equipe precisou remover o halo luminoso intenso do Nysa, que ocultava o sinal da lua.

A análise do movimento orbital dessa lua será utilizada para determinar a densidade e a massa do (44) Nysa, dados essenciais para a reconstrução de sua origem. O estudo foi submetido à revista Astronomy & Astrophysics e está disponível no arquivo científico arXiv.

Notícias Relacionadas