Ciência

Astrônomos registram a imagem mais nítida de Betelgeuse B, provável estrela companheira de Betelgeuse

28 de Julho de 2026 às 18:33

Astrônomos obtiveram a imagem mais nítida de Betelgeuse B, estrela companheira da supergigante vermelha, utilizando o Very Large Telescope no Chile. O estudo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics, indica que o astro é de duas a três vezes mais massivo que o Sol

Astrônomos registraram a imagem com maior nitidez até o momento de Betelgeuse B, a provável estrela companheira de Betelgeuse. O registro, realizado com o Very Large Telescope no deserto do Atacama, Chile, é apontado como a evidência mais robusta de que a supergigante vermelha não orbita sozinha. O estudo foi publicado nesta terça-feira (28) na revista Astronomy & Astrophysics.

A estrela principal, localizada na constelação de Órion a aproximadamente 640 anos-luz da Terra, possui um raio 700 vezes superior ao do Sol. Apesar de ter apenas 10 milhões de anos, Betelgeuse já se encontra nos estágios finais de sua vida. O astro é conhecido por oscilações de brilho que ocorrem em ciclos de 400 dias e em padrões mais longos, de cerca de seis anos, fenômenos observados desde a antiguidade.

Análise da estrela companheira

A hipótese de que Betelgeuse possuía uma parceira ganhou força após o "Grande Escurecimento" ocorrido entre 2019 e 2020. Na ocasião, a perda drástica de luminosidade foi atribuída à ejeção de uma nuvem de poeira, embora houvesse especulações sobre a iminência de uma supernova.

Os novos dados revelam que Betelgeuse B é mais massiva do que as estimativas iniciais sugeriam. Enquanto se acreditava que ela teria a massa do Sol, as evidências atuais indicam que a estrela pode ser de duas a três vezes mais pesada.

Para obter a imagem, a equipe de pesquisadores utilizou o telescópio em dezembro de 2024, período em que a posição da companheira era mais favorável para a observação terrestre. O processo de separação do pequeno ponto de luz em relação ao brilho intenso da estrela principal demandou meses de trabalho técnico.

Perspectivas e futuro do sistema

Embora uma detecção anterior tenha sido divulgada em 2025 via telescópio Gemini North, no Havaí, os cientistas ainda não consideram a descoberta totalmente confirmada. O plano é realizar novas observações em cerca de um ano, quando a estrela companheira deverá se posicionar do lado oposto de Betelgeuse.

A interação entre os dois astros indica um destino inevitável: a companheira deve espiralizar para dentro da supergigante vermelha e ser engolida em aproximadamente 10 mil anos. A próxima oportunidade ideal para observar o sistema ocorrerá em novembro de 2027, momento em que Betelgeuse B atingirá o ponto mais distante de sua órbita, facilitando a visualização.

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